Domingo, 5 de Julho de 2009

Turismo religioso na Jordânia une culturas cristã e muçulmana


Desde 2000, quando o Papa João Paulo II determinou que as peregrinações católicas pela Terra Santa começassem pela Jordânia, é impossível não pensar no reino dos hashemitas como um destino mais voltado aos cristãos. Afinal, é lá que estão locais históricos como o Monte Nebo - de onde, segundo a Bíblia, Moisés avistou Israel, a Terra Prometida - e também o Rio Jordão, onde Jesus Cristo teria sido batizado.

Mas um outro elemento religioso enriquece ainda mais uma visita à Jordânia. A massiva presença do islamismo, religião de 95% da população coloca os visitantes em contato com valores e uma cultura ainda pouco explorada pelo Ocidente.

A principal porta de chegada à Jordânia acontece pela capital Amã, localizada no norte do país. E é nos arredores da cidade que estão os principais pontos de interesse para os peregrinos da Terra Santa. De Amã é muito fácil chegar ao Monte Nebo, o Rio Jordão e a Madaba. É na capital do reino jordaniano também que estão algumas das mais belas mesquitas do país como a Mesquita do Rei Abdullah I e a Mesquita do Rei Hussein.

Monte Nebo
A região do Monte Nebo fica a pouco mais de 25 km de Amã, e seu acesso é fácil por rodovias bem sinalizadas. O sitío turístico é bem conservado e abriga um pequeno museu com relíquias das escavações feitas no local. Mas a atração principal do lugar é o mirante com vista para Israel. A escultura batizada de Serpente de Brazen, do italiano Giovanni Fantoni, marca o lugar exato de onde Moisés, aos 120 anos, teria avistado a Terra Prometida.

De acordo com as escrituras cristãs e hebraicas, o Monte Nebo teria sido também o local onde Moisés morreu e estaria enterrado. Muitos teólogos, entretanto, ainda divergem sobre o Monte Nebo ser de fato o local citado na Torá, o livro sagrado dos judeus, e no Velho Testamento da Bíblia.

Ainda de acordo com o Livro dos Macabeus, escrituras sagradas dos judeus, mas reconhecidas pelo cristianismo, o profeta Jeremias teria escondido a Arca da Aliança - que continha as tábuas com os Dez Mandamentos - no Monte Nebo.

Madaba
A apenas 10 km ao sudeste do Monte Nebo, está a cidade de Madaba, uma parada interessante. O local foi visitado por Bento XVI em sua peregrinação pela Terra Santa em maio deste ano. No centro de Madaba está a igreja orotodoxa de São Jorge. No piso da igreja está um mosaico bizantino parcialmente restaurado conhecido como o Mapa de Madaba.

No mosaico, que data do século 6 a.C., está retratada toda a Terra Santa. Após Madaba ter sido devastada por um terremoto em 746, o mosaico foi redescoberto em 1894. O estudo do mapa presente no mosaico permitiu que, em 1967, os exploradores identificassem locais históricos em Jerusalém como o Cardo Maximus, a via principal das cidades do Império Romano.

Algumas quadras distante da Igreja de São Jorge está o restaurante Haret Jdoudna que oferece os principais pratos típicos da culinária árabe. Os preços são acessíveis. Um kebab para duas pessoas, por exemplo, custa cerca de 7 dinares (US$ 10). As bebidas alcoólicas são sobretaxadas na Jordânia, por isso, tomar uma cerveja pode ser uma experiência bastante cara: cerca de US$ 10 dólares por uma garrafa long-neck. Já o café com cardamomo é imperdível.

Madaba oferece ainda uma excelente oportunidade para se caminhar por uma cidade tipicamente palestina. Muitas das ruas não têm calçadas e os pedestres dividem o espaço com carros. Mas nada que um pouco de cautela e atenção não resolvam. Madaba também se orgulha de ter uma das maiores comunidades cristãs da Jordânia. Por esse motivo ela se denomina ¿cidade da vida em harmonia¿ pela boa convivência entre cristãos e muçulmanos.

Rio Jordão
Menos de 40 km separam Amã do sítio de batismo de Jesus Cristo. Divisor dos territórios entre Jordânia e Israel, o Rio Jordão também é a principal fonte de água do Mar Morto. O rio, entretanto, guarda pouco das carecterísticas bíblicas e em alguns trechos parece um córrego. Todo o complexo do sítio batismal está sendo restaurado, mas o lugar oferece poucas opções de visita além das margens do Jordão.

Durante sua visita em maio, Bento XVI abençoou a pedra fundamental da primeira igreja católica no local. Próximo ao rio Jordão, entretanto, está um capela ortodoxa em homenagem ao batismo de cristo que merece uma breve visita. Seus murais coloridos oferecem uma visão diferenciada de igrejas com muitas imagens.

Uma escadaria leva a uma plataforma nas margens do Jordão de onde é possível, e permitido, colher água do rio como recordação. Além disso, uma pia de pedra contém água tratada do Jordão, já que o rio tem suas águas bastante barrentas. O cenário se completa com um vestiário destinado principalmente aos cristãos ortodoxos que têm o costume de repetir o gesto de Jesus e mergulhar no rio Jordão simbolizando a renovação da fé.

Jesus Cristo, entretanto, não foi batizado exatamente no Rio Jordão. O encontro de Cristo com São João Batista se deu em um braço do Jordão. O local de onde ele teria descido às águas está bem preservado, mas o braço do rio está praticamente seco. Uma obra em andamento pretende recuperar esse local com águas do Jordão sendo desviadas para lá.

Amã
Durante o passeio por Amã são obritatórias visitas a pelo menos duas mesquitas. No centro da cidade, e de fácil acesso, está a Mesquita do Rei Abdullah I. Construído entre 1982 e 1986, com uma capacidade de 3000 fiéis, o local foi levantado pelo rei Hussein como um memorial ao seu avô, o rei Sayyid-Abdullah I.

A mesquita é um exemplo de arquitetura islâmica moderna. Localizado em seu interior está o Museu Islâmico, com uma coleção de cerâmica e fotografias do Rei Abdullah I. Em 11 de abril de 2006, a estrutura foi aposentada como a mesquita nacional da Jordânia, em favor da recém-construída Mesquita do Rei Hussein Ben Talal.

A Mesquita do Rei Hussein foi construída pelo atual monarca, rei Abdullah II, para homenagear seu pai, morto em 1999. O local impressiona pelo tamanho e beleza dos jardins ao redor da mesquita. A visita é permitida, mas mulheres devem usar um veu para cobrir o corpo, e os homens devem tirar os sapatos antes de entrar no templo. Em maio, Bento XVI encontrou-se com o príncipe Ghazi bin Muhammad, conselheiro religioso do trono jordaniano.


Nesta terça-feira, leia na segunda matéria do especial sobre a Jordânia por que o acampamento no deserto é aventura obrigatória.

O jornalista Renato Beolchi viajou a convite do Jordan Tourism Board.

Fonte: Terra Turismo

Glauber Plaça - Canção do Passarim

Sábado, 4 de Julho de 2009

Reality show turco tentará converter ateus

Um reality show da Turquia mostrará sacerdotes de quatro religiões tentando converter ateus convictos e premiará aqueles que passarem a ter uma religião com uma viagem de peregrinação.

O novo programa, chamado Tövbekarlar Yarisiyor (algo como "Penitentes Competem", em tradução livre) coloca juntos um imã, um rabino, um monge budista e um sacerdote da Igreja Ortodoxa Grega que tentarão converter dez competidores.

Os dez competidores ateus foram avaliados cuidadosamente por uma equipe de teólogos para garantir que não tenham nenhuma fé.

A cada episódio, o imã, o rabino, o sacerdote e o monge tentarão convencer os competidores ateus a respeito dos méritos de suas religiões.

De acordo com o jornal turco Hurriyet, os produtores do programa reconhecem que há uma grande chance de que nenhum dos ateus seja convertido.

Mas, se alguém for verdadeiramente convertido a uma religião, será enviado a uma peregrinação. Para os convertidos ao islamismo, a viagem será para Meca, budistas irão para o Tibete e os convertidos ao Judaísmo ou ao Cristianismo, para Jerusalém.

As câmeras do canal de televisão seguirão os competidores vencedores nestas peregrinações.

"Eles não podem encarar isso como uma simples viagem, mas como uma experiência religiosa", afirmou ao jornal Hurriyet Ahmet Ozdemir, vice-diretor do Kanal T, canal de televisão que produz o programa.

Propaganda e ''serenidade''

As propagandas para o programa prometem que será dado ao convertido "o maior prêmio de todos; nós representamos a crença em Deus. Acredite, arrependa-se, Deus irá perdoar".

Mas os produtores afirmam que o programa também ajudará os competidores a "encontrar a serenidade", além de aumentar o conhecimento sobre as religiões.

O programa já gerou várias reações na Turquia, um país de maioria muçulmana. Alguns afirmam que será bom para as relações entre as religiões e outros disseram que este tipo de discussão "não é apropriado" para a televisão.

Ozdemir, por sua vez, afirmou que quando as pessoas ouviram falar do programa pela primeira vez, "foi difícil para elas compreenderem sobre o que era", mas muitos agora estão "esperando impacientemente" pelo lançamento do programa.

"As pessoas são livres para acreditarem do que quiserem. Nosso programa não vai decidir", acrescentou.


Fonte: O Globo

Os títulos da Dilma

Apesar de a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, não ter concluído nem mestrado nem doutorado, o site oficial da Casa Civil informava que ela é "mestre em teoria econômica pela Universidade de Campinas (Unicamp) e doutoranda em economia monetária e financeira pela mesma universidade", segundo reportagem da revista "Piauí" deste mês. Com a revelação, a Casa Civil foi obrigada a mudar o texto nesta sexta duas vezes.

Na Plataforma Lattes, base de dados de currículos e instituições, Dilma se identifica como mestra em ciência econômica, pela Unicamp, com título obtido em 1979, e informa que começou, em 1998, doutorado em ciências sociais aplicadas.

O diretor de registro acadêmico Antônio Faggiani disse, porém, que Dilma "nunca se matriculou em nenhum curso de mestrado na Unicamp". A pedido da "Piauí", foi verificado também o arquivo morto da universidade, e Faggiani confirmou: "O que existe, oficialmente, é a matrícula no curso de doutorado, em 1998, abandonado em 2004, quando acabou o prazo para a integralização dos créditos".

Assessoria da Casa Civil admitiu que site da Presidência errou

A assessoria de imprensa da Casa Civil admitiu nesta sexta que o site da Presidência da República informava erradamente que Dilma tem mestrado e é doutoranda. A informação foi corrigida ao longo do dia. Primeiro, o texto foi trocado para "cursou mestrado e doutorado pela Unicamp". Mais tarde, nova mudança no site: "Foi aluna de mestrado e doutorado em ciências econômicas pela Unicamp, onde concluiu os respectivos créditos".

Segundo a Casa Civil, Dilma foi aluna do curso de pós-graduação (nível mestrado) em ciências econômicas da Unicamp entre março de 1978 e julho de 1983. A ministra afirma que cumpriu os créditos exigidos pelo programa, mas diz que não defendeu a dissertação porque assumiu a Secretaria Municipal de Fazenda de Porto Alegre.

Universidade: matrícula abandonada no doutorado

Em 1998, ela ingressou no doutorado na Unicamp. Mas, novamente, não defendeu a tese, porque foi novamente assumir cargo político. Ela foi secretária de Minas, Energia e Comunicações do Rio Grande do Sul, de 1999 a 2002, e em seguida assumiu o Ministério de Minas e Energia (2003).

Segundo a Diretoria Acadêmica da Unicamp, Dilma começou o doutorado em 1998, mas o curso ficou inconcluso. Ela não se matriculou para o primeiro período letivo de 2000, e teve a matrícula cancelada. A Unicamp, ontem, também não confirmou que a ministra tenha feito o mestrado na instituição. "O documento apresentado para matrícula no doutorado foi o diploma de bacharelado em ciências econômicas, obtido na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. O mestrado não é pré-requisito para o doutorado", informou em nota.

Não é só no site da Casa Civil que o currículo de Dilma tem informações erradas. Também o site da Petrobras informava, até a noite desta sexta, que Dilma, presidente do Conselho de Administração da estatal, é "mestre em teoria econômica (1979) e atualmente é doutoranda em economia monetária e financeira pela Universidade Estadual de Campinas", embora a ministra não tenha o primeiro título nem esteja cursando o doutorado.

Fonte: O Globo

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Unicamp desconhece cursos de Dilma; ministério muda currículo

AntenA CristÃ: Mestre?

Ameaça ostensiva

O colunista Bob Herbert – aquele mesmo segundo o qual John McCain não parou de fazer insinuações racistas durante a campanha eleitoral de 2008, embora o restante da espécie humana não as ouvisse – publicou no New York Times do último dia 20 um artigo bastante esclarecedor. Esclarecedor mesmo: basta lê-lo para compreender por que aquele jornal vai diminuindo de tiragem a cada ano e já está à beira da falência, tendo sido obrigado a arrendar metade do seu edifício-sede para arcar com seus custos de produção.

O artigo, é óbvio, não fala de nada disso. Apenas exemplifica, ao tratar de assunto completamente diverso, o tipo de demagogia alucinada que a publicação do sr. Sulzberger passou a aceitar como jornalismo desde há mais de uma década, pagando esse capricho de esquerdista rico com uma desmoralização aparentemente irreversível. Desmoralização que só os jornalistas brasileiros não notaram, pelo simples fato de que em geral nada lêem da mídia estrangeira exceto o próprio New York Times (e o Monde Diplomatique, que é mais mentiroso ainda). Mas não há nisso nada de inusitado: a degradação do NYT, afinal, não completou o prazo regulamentar de trinta anos exigido para que os fatos do mundo sensibilizem o cérebro nacional.

Herbert assegura que os três crimes mais chocantes ocorridos no território americano nas últimas semanas – os assassinatos do médico abortista Tiller, de três policiais em Pittsburgh e de um guarda do Museu do Holocausto em Washington D.C. – foram causados pela propaganda direitista contra o governo Obama.

Ele alerta às autoridades que os “ataques foram motivados pelo ódio direitista: são apenas o começo e o pior está por vir” – donde se conclui facilmente que o governo precisa fazer alguma coisa para tapar a boca dos agitadores, especialmente, segundo Herbert, a National Rifle Association (NRA), cujo presidente, Wayne La Pierre, exorta continuamente os membros da entidade a lutar contra qualquer tentativa governamental de privá-los de suas armas de fogo.

Vamos agora aos fatos:

1. Segundo a polícia, o assassino do dr. Tiller não é militante de nenhuma organização anti-abortista, cristã ou conservadora: é um doente mental, já cometeu outros crimes e não disse uma só palavra que sugerisse motivações morais ou ideológicas. É até possível – mera suposição, que Herbert toma como certeza absoluta – que ele tenha reagido, de maneira insana, à notícia de que o médico era responsável pelas mortes de milhares de crianças, muitas delas saudáveis e completamente formadas, já no nono mês de gestação; mas essa notícia não é propaganda direitista de maneira alguma: é um fato reconhecido por toda a mídia e alardeado, com orgulho, pelo próprio Tiller, sob o nome de socorro humanitário a pobres mulheres privadas do conhecimento das camisinhas ou dos benefícios incalculáveis da esterilização preventiva. Caso as organizações anti-aborto estivessem mesmo induzindo alguém à prática da violência, os primeiros a atender a esse apelo deveriam ser seus próprios militantes. Estranha propaganda, essa, que nenhum efeito exerce sobre seu público-alvo mas vai influenciar, à distância, um maluco que jamais mostrou qualquer interesse pela causa anti-abortista! O mesmo fenômeno observa-se, aliás, na NRA: seus milhões de membros armados até os dentes insistem em não cometer crime algum, deixando irresponsavelmente essa tarefa para pessoas de miolo mole que jamais freqüentaram a organização.

2. O autor dos disparos no Museu do Holocausto foi retratado pela mídia como um fanático anti-semita, coisa que ele é mesmo. Mas ele é também um evolucionista roxo e anticristão odiento – um dado cuidadosamente omitido não só por Herbert mas também pela seção noticiosa do New York Times, e que por si já basta para mostrar que o criminoso nada tem a ver com a direita americana; direita que, para a desgraça total das especulações herbertianas, é tão notoriamente pró-judaica que os esquerdistas em massa a acusam de ser um bando de vendidos à “internacional sionista”. Herbert repete o engodo de Michael Moore, que, para lançar sobre os conservadores a culpa moral pelo massacre de Columbine, omitiu de propósito a informação de que os autores do crime o cometeram num acesso de ódio ao cristianismo. O mesmo truque sujo foi usado no caso da Virginia Tech, quando a grande mídia unânime escondeu do público que o assassino, um imigrante coreano, fora doutrinado por uma professora esquerdista, militante black radical, na base do slogan “Morte aos brancos, morte aos judeus”. Quando a inspiração ideológica é direta, comprovada, explícita e vem da esquerda, é preciso escondê-la a todo custo, inventando, em contrapartida, as mais artificiosas associações de idéias para criminalizar cristãos e conservadores. Herbert não é, nisso, nem um pouco original: segue a regra estabelecida.

3. Quanto ao assassino dos três policiais, o site de fiscalização midiática Slate, confrontando as várias notícias, concluiu que não há como classificar o sujeito de extremista, seja de direita, seja de esquerda, já que ele é uma cabeça confusa demais para compreender o sentido político do que faz. Embora ele tenha declarado temer o desarmamento forçado da população, não consta que ele jamais tivesse lido a respeito em revistas ou folhetos da NRA. A única fonte que ele citou sobre o assunto foi o site neonazista Stormfront, publicação tão representativa da direita americana que chega a rotular Obama de conspirador sionista, enquanto os sionistas de verdade e os conservadores em peso preferem julgá-lo, como disse recentemente Morton Klein (líder da Zionist Organization of America), “o presidente americano mais anti-Israel de todos os tempos”, empenhado, segundo o rabino Pomerantz, em “criar um clima de ódio contra os judeus”.

Forçando a especulação de intenções sutis até o último limite da inversão completa, Herbert procura persuadir os leitores de que a pregação conservadora é uma ameaça potencial à segurança pública dos EUA (aviso que chega a ser psicótico numa época em que americanos são mortos todas as semanas sob os aplausos da esquerda mundial), mas não consegue esconder que seu apelo ostensivo à ação governamental contra esses alegados subversivos é uma ameaça real e presente ao direito de livre expressão. Tendo em vista os esforços da esquerda democrata para restaurar a Fairness Doctrine e tirar dos conservadores metade do tempo que eles têm no rádio, torna-se uma simples questão de realismo parafrasear o próprio Herbert e concluir que essa ameaça “é apenas o começo e o pior está por vir”.

Neste e em outros artigos, Herbert pinta os EUA como nação recordista de crimes violentos, causados – é claro! – pelos milhões de armas legais nas mãos de seus cidadãos. Mas o curioso não é que ele apele a esse estereótipo bocó: o anti-americanismo interno prima por evitar comparações internacionais que o desmentiriam no ato (por exemplo, a criminalidade na Inglaterra multiplicando-se por quatro desde a proibição das armas de fogo). O curioso é que, lido num país como o nosso, que tem dez vezes mais crimes violentos do que os EUA, com metade da sua população e um número ínfimo de armas legais, o besteirol de Herbert não suscite automaticamente, pela simples confrontação dos números, o riso de escárnio que merece, e sim o respeito e a consideração devidos ao jornalismo sério.

Olavo de Carvalho no Diário do Comércio

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

“Há abusos em nome de Deus”


Jornalista relata os danos do assédio espiritual cometido por líderes evangélicos

Kátia Mello


A igreja evangélica está doente e precisa de uma reforma. Os pastores se tornaram intermediários entre Deus e os homens e cometem abusos emocionais apoiados em textos bíblicos. Essas são algumas das afirmações polêmicas da jornalista Marília de Camargo César em seu livro de estreia, Feridos em nome de Deus (editora Mundo Cristão), que será lançado no dia 30. Marília é evangélica e resolveu escrever depois de testemunhar algumas experiências religiosas com amigos de sua antiga congregação.

ENTREVISTA - MARÍLIA DE CAMARGO CÉSAR

QUEM É

Marília de Camargo César, 44 anos, jornalista, casada, duas filhas

O QUE FEZ
Editora assistente do jornal O Valor, formada pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero

O QUE PUBLICOU
Seu livro de estreia é Feridos em nome de Deus (editora Mundo Cristão)


ÉPOCA – Por que você resolveu abordar esse tema?
Marília de Camargo César –
Eu parti de uma experiência pessoal, de uma igreja que frequentei durante dez anos. Eu não fui ferida por nenhum pastor, e esse livro não é nenhuma tentativa de um ato heroico, de denúncia. É um alerta, porque eu vi o estado em que ficaram meus amigos que conviviam com certa liderança. Isso me incomodou muito e eu queria entender o que tinha dado errado. Não quero que haja generalizações, porque há bons pastores e boas igrejas. Mas as pessoas que se envolvem em experiências de abusos religiosos ficam marcadas profundamente.


ÉPOCA – Qual foi a história que mais a impressionou?
Marília –
Uma das histórias que mais me tocaram foi a de uma jovem que tem uma doença degenerativa grave. Em uma igreja, ela ouviu que estava curada e que, caso se sentisse doente, era porque não tinha fé suficiente em Deus. Essa moça largou os remédios que eram importantíssimos no tratamento para retardar os efeitos da miastenia grave (doença autoimune que acarreta fraqueza muscular). O médico dela ficou muito bravo, mas ela peitou o médico e chegou a perder os movimentos das pernas. Ela só melhorou depois de fazer terapia. Entendeu que não precisava se livrar da doença para ser uma boa pessoa.


ÉPOCA – Que tipo de experiência você considera como abuso religioso e que marcas são essas?
Marília –
Meu livro é sobre abusos emocionais que acontecem na esteira do crescimento acelerado da população de evangélicos no Brasil. É a intromissão radical do pastor na vida das pessoas. Um exemplo: uma missionária que apanha do marido sistematicamente e vai parar no hospital. Quando ela procura um pastor para se aconselhar, ele fala assim para ela: “Minha filha, você deve estar fazendo alguma coisa errada, é por isso que o teu marido está se sentindo diminuído e por isso ele está te batendo. Você tem de se submeter a ele, porque biblicamente a mulher tem de se submeter ao cabeça da casa. Então, essa mulher, que está com a autoestima lá embaixo, que apanha do marido - inclusive pelo Código Civil Brasileiro ele teria de ser punido - pede um conselho pastoral e o pastor acaba pisando mais nela ainda. E ele usa a Bíblia para isso. Esse é um tipo de abuso que não está apenas na igreja pentecostal ou neopentecostal, como dizem. É um caso da Igreja Batista, em que, teoricamente, os protestantes históricos têm uma reputação melhor.


ÉPOCA – Seu livro questiona a autoridade pastoral. Por quê?
Marília –
As igrejas que estão surgindo, as neopentecostais, e não as históricas, como a presbiteriana, a batista, a metodista, que pregam a teologia da prosperidade, estão retomando a figura do “ungido de Deus”. É a figura do profeta, do sacerdote, que existia no Antigo Testamento. No Novo Testamento, não existe mais isto. Jesus Cristo é o único mediador. Então o pastor dessas igrejas mais novas está se tornando o mediador. Para todos os detalhes da sua vida, você precisa dele. Se você recebeu uma oferta de emprego, o pastor pode dizer se deve ou não aceitá-la. Se estiver paquerando alguém, vai dizer se deve ou não namorar aquela pessoa. O pastor, em vez de ensinar a desenvolver a espiritualidade, determina se aquele homem ou aquela mulher é a pessoa da sua vida. E o pastor está gostando de mandar na vida dos outros, uma atitude que abre um terreno amplo para o abuso.


ÉPOCA – Você também fala que não é só culpa do pastor.
Marília –
Assim como existe a onipotência pastoral, existe a infantilidade emocional do rebanho, que é o que o Sérgio Franco, um dos pastores psicanalistas entrevistados no livro, fala. A grande crítica do Freud em relação à religião era essa. Ele dizia que a religião infantiliza as pessoas, porque você está sempre transferindo as suas decisões de adulto - que são difíceis - e a figura do sagrado, no caso aqui o líder religioso, para a figura do pai ou da mãe - o pastor, a pastora. É a tendência do ser humano em transferir responsabilidade. O pastor virou um oráculo. É mais fácil ter alguém, um bode expiatório, para pôr a culpa nas decisões erradas tomadas.


“O pastor está gostando de mandar na vida dos outros e receber presentes. Isso abre espaço para os abusos”


ÉPOCA – Quais são os grandes males espirituais que você testemunhou?
Marília –
Eu vi casamentos se desfazer, porque se mantinham em bases ilusórias. Vi também pessoas dizendo que fazer terapia é coisa do Diabo. Há pastores contra a terapia que afirmam que ela fortalece a alma e a alma tem de ser fraca; o espírito é que tem que ser forte. E dizem isso supostamente apoiados em textos bíblicos. Dizem que as emoções têm de ser abafadas e apenas o espírito ser fortalecido. E o que acontece com uma teologia dessas? Psicoses potenciais na vida das pessoas que ficam abafando as emoções. As pessoas que aprenderam essa teologia e não tiveram senso crítico para combatê-la ficaram muito mal. Conheci um rapaz com muitos problemas de depressão e de autoestima que encontrou na igreja um ambiente acolhedor. Ele dizia ter ressuscitado emocionalmente. Só que com o passar dos anos, o pastor se apoderou dele. Mas ele começou a perceber que esse pastor é gente, que gosta de ganhar presentes e que usa a Bíblia para se justificar. Uma das histórias que mais me tocou foi a de uma jovem que tem uma doença degenerativa grave. Ela foi para uma dessas igrejas e ouviu que se estivesse sentindo ainda doente era porque não tinha fé suficiente em Deus. Essa moça largou os remédios que eram importantíssimos no tratamento para retardar os efeitos da miastenia grave (doença auto-imune que acarreta fraqueza muscular). O médico dela ficou muito bravo e não a autorizou. Mesmo assim, ela peitou o médico e chegou a perder os movimentos das pernas. Ela só melhorou depois de fazer terapia. Ela entendeu que não precisava se livrar da doença para ser uma boa pessoa.


ÉPOCA – Por que demora tanto tempo para a pessoa perceber que está sendo vítima?
Marília –
Os abusos não acontecem da noite para o dia. A pessoa que está sendo discipulada, que aprende com o pastor o que a Bíblia diz, desenvolve esse relacionamento aos poucos. No primeiro momento, ela idealiza a figura do líder, como alguém maduro, bem preparado. É aquilo que fazemos quando estamos apaixonados: não vemos os defeitos. O fiel vê esse líder como um intermediário, como um representante de Deus que tem recados para a vida dele, um guru. E o pastor vai ganhando a confiança dele num crescendo, como numa amizade. Esse líder, que acredita que Deus o usa para mandar recados para sua congregação, passa a ser uma referência na vida do fiel. O fiel, pro sua vez, sente uma grande gratidão por aquele que o ajudou a mudar sua vida para melhor. Ele se sente devedor do pastor e começa, então, a dar presentes. O fiel quer abençoar o líder porque largou as drogas, ou parou de beber, ou parou de bater na mulher, ou porque arrumou um emprego e está andando na linha. E começa a dar presentes de acordo com suas posses. Se for um grande empresário, ele dá um carro importado para o pastor. Isso eu vi acontecer várias vezes. O pastor, por sua vez, gosta de receber esses presentes. É quando a relação se contamina, se torna promíscua. E o pastor usa a Bíblia para dizer que esse ato é bíblico. O poder está no uso da Bíblia para legitimar essas práticas.


ÉPOCA – Qual é o limite da autoridade pastoral?
Marília –
O pastor tem o direito de mostrar na Bíblia o que ela diz sobre certo tema. Como um bom amigo, ele tem o direito de dar um conselho. Mas ele tem de deixar claro que aquilo é apenas um conselho. Pode até falar que o resultado disso ou daquilo pode ser ruim para a vida do fiel. Mas ele não pode mandar a pessoa fazer algo em nome de Deus. O que mais fere as pessoas é ouvir uma ordem em nome de Deus. Se é Deus, então prova! Se Deus fala para o pastor, por que Ele não fala para o fiel? Eles estão sendo extremamente autoritários.


ÉPOCA – Você afirma que muitos dos pastores não agem por má-fé, mas por uma visão messiânica. Explique.
Marília –
É uma visão messiânica para com seu rebanho. Lutero (teólogo alemão responsável pela reforma protestante no século XVI) deve estar dando voltas na tumba. Porque o pastor evangélico virou um papa que é a figura mais criticada no catolicismo, o inerrante. E não existe essa figura, porque somos todos errantes, seres faltantes, como já dizia Freud. Pastor é gente. E é esse pastor messiânico que está crescendo no evangelismo. Existe uma ruptura entre o Antigo e o Novo Testamento, que é a cruz. A reforma de Lutero veio para acabar com a figura intermediária e a partir dela veio a doutrina do sacerdócio universal. Todos têm acesso a Deus. Uma das fontes do livro disse que precisamos de uma nova reforma e eu concordo com ela. Essa hierarquização da experiência religiosa, que o protestante tanto combateu no catolicismo, está se propagando. Você não pode mais ter a conversa direta com o divino. Porque tem aquela coisa da “oração forte” do pastor. Você acha que ele ora mais que você, que ele tem alguma vantagem espiritual e, se você gruda nele, pega uma lasquinha. Isso não existe. Somos todos iguais perante Deus.


ÉPOCA – Se a igreja for questionada em seus dogmas, ela não deixará de ser igreja?
Marília –
Eu não acho isso. A igreja tem mesmo de ser questionada, inclusive há pensadores cristãos contemporâneos que questionam o modelo de igreja que estamos vivendo e as teologias distorcidas, como a teologia da prosperidade, que são predominantemente neopentecostais e ensinam essa grande barganha. Se você não der o dízimo, Deus vai mandar o gafanhoto. Simbolicamente falando, Ele vai te amaldiçoar. Hoje o fiel se relaciona com o Divino para as coisas darem certo. Ele não se relaciona pelo amor. Essa é uma das grandes distorções.


ÉPOCA – Por que você diz que existe uma questão cultural no abuso religioso?
Marília –
Porque o brasileiro procura seus xamãs, e isso acontece em todas as religiões. O brasileiro é extremamente religioso. A ÉPOCA até publicou uma matéria sobre isso, dizendo que a maioria acredita em algo e se relaciona com isso, tentando desenvolver seu lado espiritual. O brasileiro gosta de ter seu oráculo. A pessoa que vem do catolicismo, onde há centenas de santos, e passa a ser evangélica transfere aquela prática e cultura do intermediário para o protestantismo, e muitas igrejas dão espaço para isso. O pastor Edir Macedo (da igreja Universal) trouxe vários elementos da umbanda, do candomblé, porque ele é convertido. Ele diz que o povo precisa desses elementos -que ele chama de pontos de contato - para ajudar a materializar a experiência religiosa. A Bíblia condena tudo isso.


ÉPOCA – No livro você dá alguns alertas para não cair no abuso religioso. Fale deles.
Marília –
Desconfie de quem leva a glória para si. Um conselho é prestar atenção nas visões megalomaníacas. Uma das características de quem abusa é querer que a igreja se encaixe em suas visões, como quere ganhar o Brasil para Cristo e colocar metas para isso. E aquele que não se encaixar é um rebelde, um feiticeiro. Tome cuidado com esse homem. Outra estratégia é perguntar a si mesmo se tem medo do pastor ou se pode discordar dele. A pessoa que tem potencial para abusar não aceita que discorde dela, porque é autoritária. Outra situação é observar se o pastor gosta de dinheiro e ver os sinais de enriquecimento ilícito. São esses geralmente os que adoram ser abençoados e ganhar presentes. Cuidado com esse cara.

Fonte: Revista Época

Ainda preferimos Barrabás!

A Bíblia está repleta de lições que reproduzem muitos acontecimentos nos dias atuais e as reações da humanidade diante dos fatos. Há mais de dois mil anos, quando Jesus foi apresentado a Pôncio Pilatos e o mesmo deixou a critério do povo para escolher entre Ele, o pacificador, justo, homem perfeito e o malfeitor, criminoso Barrabás, a multidão como sempre, escolheu o perverso, corrupto, injusto.

Nos dias atuais não é diferente, continuamos escolhendo os homens corruptos, amantes de si mesmos, desonestos e malfeitores em todos os segmentos, seja na política, na economia ou na sociedade em geral.

É de pasmar a naturalidade que aceitamos os fatos, desconhecemos nossos direitos e deveres como cidadãos e assistimos perplexos pelos meios de comunicação o noticiário das ocorrências, murmuramos e nada mais.

A Bíblia trás mais uma expressão disso “e por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos se esfriará” e é exatamente isso que tem acontecido, ficamos como geladeira diante de tanta coisa errada, injusta e desumana.

Se olharmos para a nossa Constituição, veremos belos textos normativos que na maioria não tem existência prática, está escrita no papel, porém apagada no coração e na mente dos poderes constituídos para executarem. A política então nem se fala, cheira “mal” de tantos escândalos, condutas inadequadas e impunidade declarada e assegurada por lei. Mas não precisamos ir tão longe, nós mesmos no dia a dia temos atitudes semelhantes, de ignorância, injustiça, “jeitinho brasileiro” e outros tantos.

Hoje, um gesto de honestidade é um espetáculo surpreendente, o que deveria ser natural passa a ser inacreditável. Assim como Barrabás, personagem misterioso, homem perverso, coração enegrecido pelo ódio, que já contava com a pena máxima e que depois se tornou livre, de um momento para o outro, assim é nos dias atuais, muitos nazarenos são presos e crucificados e vários malfeitores não libertados por “Pilatos” do poder, da vergonha, assistidos por multidões que não usam da representatividade que tem para mudar, cobrar e fazer valer a justiça. Somos uma nação, um povo forte e capaz de inverter o curso desta sociedade para melhor, a começar por nós mesmos, dentro da nossa própria casa.

Até quando continuaremos a preferir Barrabás e a negar o que é certo, justo e de bem comum a todos? Enquanto isso, os Barrabás da vida continuam matando, roubando, explorando e o povo sofrendo, sem emprego, habitação, saúde, dignidade, sem respeito próprio, acovardados por um “aceitismo” vil e vergonhoso. Tomara que a próxima geração avance neste sentido, de melhorar o ser humano.

Fonte: A Tribuna - Mato Grosso - Sérgio Nery

O Bolsa Ditadura tornou-se uma indústria

ELIO GASPARI

O assalto à bolsa da Viúva conseguiu o que 21 anos de perseguições não conseguiram, avacalhou a velha esquerda

SE ALGUÉM QUISESSE produzir um veneno capaz de desmoralizar a esquerda sexagenária brasileira dificilmente chegaria a algo parecido com o Bolsa Ditadura.

Aquilo que em 2002 foi uma iniciativa destinada a reparar danos impostos durante 21 anos a cidadãos brasileiros transformou-se numa catedral de voracidade, privilégios e malandragens. O Bolsa Ditadura já custou R$ 2,5 bilhões à contabilidade da Viúva. Estima-se que essa conta chegue a R$ 4 bilhões no ano que vem. Em 1952, o governo alemão pagou o equivalente a R$ 11 bilhões (US$ 5,8 bilhões) ao Estado de Israel pelos crimes cometidos contra os judeus durante o nazismo.

O Bolsa Ditadura gerou uma indústria voraz de atravessadores e advogados que embolsam até 30% do que conseguem para seus clientes. No braço financeiro do pensionato há bancos comprando créditos de anistiados. O repórter Felipe Recondo revelou que Elmo Sampaio, dono da Elmo Consultoria, morderá 10% da indenização que será paga a camponeses sexagenários, arruinados, presos e torturados pela tropa do Exército durante a repressão à Guerrilha do Araguaia. Como diria Lula, são 44 "pessoas comuns" que receberão pensões de R$ 930 mensais e compensações de até R$ 142 mil. Essa turma do andar de baixo conseguiu o benefício muitos anos depois da concessão de indenizações e pensões aos militantes do PC do B envolvidos com a guerrilha.

O doutor Elmo remunera-se intermediando candidatos e advogados. Seu plantel de requerentes passa de 200. Ele integrou a Comissão da Anistia e dela obteve uma pensão de R$ 8.000 mensais, mais uma indenização superior a R$ 1 milhão, por conta de um emprego perdido na Petrobras. No primeiro grupo de milionários das reparações esteve outro petroleiro, que em 2004 chefiava o gabinete do advogado Luiz Eduardo Greenhalgh na Câmara. O Bolsa Ditadura já habilitou mais de 160 milionários.

É possível que o ataque ao erário brasileiro venha a custar mais caro que todos os programas de reparações de todos os povos europeus vitimados pelo comunismo em ditaduras que duraram quase meio século. Na Alemanha, por exemplo, um projeto de 2007 dava algo como R$ 700 mensais a quem passou mais de seis meses na cadeia e tinha renda baixa (repetindo, renda baixa). Na República Tcheca, o benefício dos ex-presos não pode passar de R$ 350 mensais.
No Chile, o governo pagou indenizações de 3 milhões de pesos (R$ 11 mil) e concedeu pensões equivalentes a R$ 500 mensais. Durante 13 anos, entre 1994 e 2007, esse programa custou US$ 1,4 bilhão. No Brasil, em oito anos, o Bolsa Ditadura custará o dobro. O regime de Pinochet matou 2.279 pessoas e violou os direitos humanos de 35 mil. Somando-se os brasileiros cassados, demitidos do serviço público, indiciados ou denunciados à Justiça chega-se a um total de 20 mil pessoas. Já foram concedidas 12 mil Bolsas Ditadura e há uma fila de 7.000 requerentes.
Os camponeses do Araguaia esperaram 35 anos pela compensação. Como Lula não é "uma pessoa comum", ficou preso 31 dias em 1979 e começou a receber sua Bolsa Ditadura oito anos depois. Desde 2003, o companheiro tem salário (R$ 11.239,24), casa, comida, avião e roupa lavada à custa da Viúva. Mesmo assim embolsa mensalmente cerca de R$ 5.000 da Bolsa Ditadura. (Se tivesse deixado o dinheiro no banco, rendendo a Bolsa Copom, seu saldo estaria em torno de R$ 1 milhão.)

O cidadão que em 1968 perdeu a parte inferior da perna num atentado a bomba ao Consulado Americano recebe pelo INSS (por invalidez), R$ 571 mensais. Um terrorista que participou da operação ganhou uma Bolsa Ditadura de R$ 1.627. Um militante do PC do B que sobreviveu à guerrilha e jamais foi preso, conseguiu uma pensão de R$ 2.532. Um jovem camponês que passou três meses encarcerado, teve o pai assassinado pelo Exército e deixou a região com pouco mais que a roupa do corpo, receberá uma pensão de R$ 930.

Nesses, e em muitos outros casos, Millôr Fernandes tem razão: "Quer dizer que aquilo não era ideologia, era investimento?"

Fonte: Folha de S. Paulo

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Santo Sudário pode ser foto de Da Vinci


Leonardo Da Vinci, um dos maiores gênios do Renascimento, pode ter sido responsável por uma das maiores fraudes da História, sugere um documentário que será exibido nesta quarta-feira pela televisão britânica. A teoria partiu de uma análise de feições que atribuiu o rosto estampado no Santo Sudário não a Jesus Cristo, como de costume, e sim ao artista italiano. Os traços "sagrados" seriam, na verdade, os de um busto de Da Vinci, projetado no tecido através de uma câmera obscura - uma técnica pioneira de fotografia.

A hipótese foi levantada pela artista americana Lilian Schwartz, consultora gráfica da Escola de Artes Visuais de Nova York e famosa por ter associado, na década de 1980, o rosto de Mona Lisa ao autoretrato de Da Vinci. "Estou empolgada com isso", disse Lilian, segundo reportagem do jornal The Daily Telegraph. "Não há dúvida, na minha cabeça, de que as proporções sobre as quais Leonardo escreveu foram usadas na criação do rosto nesse Sudário".

De acordo com o estudo, que será exibido pelo Canal Cinco, o pano pode ter sido pendurado no interior de uma câmara obscura e coberto com sulfato de prata, substância fotossensível já encontrada na Itália do século XV. Do lado de fora, Da Vinci teria colocado uma escultura de seu próprio busto, cujos traços foram projetados, através de uma lente encaixada no buraco de uma das paredes da câmera, no tecido em questão.

A conclusão de Lilian reforça ainda mais a polêmica em torno do Santo Sudário, apontado pela Igreja Católica como o tecido que cobriu o corpo de Cristo em seu sepultamento. Análises de carbono, no entanto, afirmam que o material data da Idade Média, mais especificamente entre os anos 1260 e 1390. De acordo com o documentário, Da Vinci teria forjado o Sudário para repor uma precária versão anterior desaparecida desde 1453.

Para a professora Larissa Tracy, da Universidade de Longwood, na Virgínia, Da Vinci possuía os conhecimentos necessários para fazer a falsificação. "Ele sabia o suficiente sobre anatomia, e sobre a estrutura muscular do corpo", afirmou Larissa, segundo o jornal. "Da Vinci tinha todas as habilidades para criar uma imagem como a do sudário. Se alguém tinha a capacidade de trabalhar com uma câmera obscura ou técnicas primevas de fotografia, era Leonardo Da Vinci".

Fonte: Veja

Solidão acelera o envelhecimento

Uma vida social ativa pode ajudar a reduzir os efeitos do envelhecimento, particularmente retardando o declínio físico, segundo estudo da Universidade Rush, nos EUA. Analisando 906 idosos por cinco anos, os especialistas notaram que cada ponto a menos no escore de atividade social estava associado a um declínio 33% mais rápido da função motora – incluindo força muscular, coordenação, destreza e equilíbrio.

Os resultados indicaram que aqueles com vida social menos ativa tinham um declínio físico equivalente a ser cinco anos mais velho. Segundo os autores, isso representaria 40% maior risco de morte e 65% maior risco de incapacidade.

Embora mais estudos sejam necessários para confirmar uma relação de causa e efeito, os pesquisadores destacam que as atividades sociais – como ir a restaurantes, jogar bingo, trabalho voluntário, visitar amigos e família e participar de serviços religiosos – podem ser uma boa forma de retardar o declínio motor e os problemas associados.

Fonte: Gazeta Web

A Queda: As últimas horas de Hitler

Os últimos dias de Adolf Hitler, narrados por sua secretária. Recebeu uma indicação ao Oscar.

Traudl Junge (Alexandra Maria Lara) trabalhava como secretária de Adolf Hitler (Bruno Ganz) durante a 2ª Guerra Mundial. Ela narra os últimos dias do líder alemão, que estava confinado em um quarto de segurança máxima.

Prêmios: Recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, Uma indicação ao European Film Awards de Melhor Ator (Bruno Ganz) e Indicação ao Goya de Melhor Filme Europeu.


Site Oficial: http://www.downfallthefilm.com/

Dica: O DVD Duplo lançado pela Europa filmes encontra-se por R$ 12,99 nas lojas Americanas

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Livros lidos/relidos no primeiro semestre de 2009

"Não importa a quantidade de livros que tens, mas a sua qualidade" Sêneca




48. Aristóteles em nova perspectiva: introdução à teoria dos Quatro Discursos / Olavo de Carvalho

Trecho: Aristóteles insiste que a lógica não traz conhecimento, nos serve apenas para facilitar a verificação dos conhecimentos já adquiridos, confrontando-os com os princípios que o fundamentam, para ver se não os contradizem.

47. Beethoven: grandes compositores da música clássica / João Marcos Coelho

Trecho: A surdez, que impediria qualquer ser humano de trabalhar com sons, em vez de condenar Beethoven ao silêncio, fez de seus dez últimos anos os mais revolucionários da história da música.

46. Nossos agentes em Havana: como os cubanos ridicularizaram a CIA / Jean-Marc Pillas

Trecho: "Vocês já repararam que os países que perderam a guerra contra os Estados Unidos são hoje grandes potências econômicas? Observem a Alemanha e o Japão!" Raul tem uma idéia: "Então, é só declarar guerra contra os EUA!" Fidel coça a sua barba, mergulhando numa intensa reflexão, depois solta: ..."Sim, mas se nós ganharmos?"







45. O verdadeiro Che Guevara e os idiotas úteis que o idolatram / Humberto Fontova

Trecho: No meio de toda a imprensa e burburinho social, Guevara ainda encontra tempo para coisas sérias. Os detalhes de sua tramoia secreta foram descobertas vários meses depois, quando o Departamento de Polícia de Nova Iorque descobriu uma conspiração para explodir a Estátua da Liberdade, o Liberty Bell e o Monumento a Washington.

44. Aliança profana / David Yallop

Trecho: Ele nunca usou truques baratos para levantar dinheiro, não promete milagres, curas ou salvação. Não faz lavagem cerebral nas pessoas para que lhe transfiram seu dinheiro. Victor, não estamos lidando com nenhum Elmer Gantry ou Oral Roberts, ou Jimmy Bakker, ou Jimmy Swaggart, esses vendedores baratos.

43. Ajuste de contas / Jack Higgins

Trecho: Era uma noite úmida de março em Manhattan quando o Lincoln parou diante do Trump Tower. Há um bom tempo já não nevava, mas agora uma chuva pesada, implacável, castigava a cidade.

42. Jabez: na rota do sucesso / Ivonildo Teixeira Trecho: O auditório começa a chorar, o rei do Rock não resiste e chora também; afinal, ninguém, ainda que tente, consegue ignorar e ficar indiferente diante de um Deus grandioso e poderoso, quer vivamos na superfície da vida ou não, e consiga exergá-lo como um Deus ilimitado, impossível!

41. O livro do peregrino / Carlos Nejar

Trecho: E eu nem me movi. Dei voltas ao coração. Caminhar é desenraigar-se. (Des)raizar-se do antes, do sempre antes para o adiante imaginado. O que não se sabe pelo instinto, o esquecimento sabe.

40. Sua vida à prova de fogo: construindo a fé que sobrevive às chamas / Michael Catt

Trecho: Muitas igrejas poderiam trocar seus nomes para Primeira Igreja de Laodicéia. Estamos mornos. Pense nas palavras de Jesus em Apocalipse 3:16: "Assim; porque és morno, e não és quente nem frio, vomitar-te-ei da minha boca". A raiz de mornidão é a apatia e indiferença.

39. O Desafio do Amor / Stephen Kendrick , Alex Kendrick

Trecho: O amor é construído sobre dois pilares que melhor definem o que ele é. Esses pilares são a paciência e a bondade. Todos as outras características do amor são extensões desses dois atributos.

38. Iluminando Anjos e Demônios: os fatos por trás da ficção / Simon Cox

Trecho: Robert Lagdon é a aluma curiosa e indagadora que todos queremos ser; o seu discernimento e as suas percepções nos ajudam a desafiar a sabedoria recebida.

37. Os Simpsons e a ciência: o que eles podem nos ensinar sobre física, robótica, vida e Universo / Paul Halpern

Trecho: Através dos séculos, a astrologia permaneceu uma ativdidade lucrativa e popular. Até Johannes Kepler, o pioneiro alemão do método científico do Século XVII, vendeu previões astrológicas para ganhar dinheiro extra. Ele nutria um entendimento errôneo de que as estrelas influenciam o curso das vidas humanas.

36. Anjos e Demônios / Dan Brown

Trecho: Mas isso acontecera havia milênios. O tempo corroera o milagre. As pessoas haviam se esquecido. Tinham se voltado para os falsos ídolos - tecnodivindades e milagres da mente. E quanto aos milagres do coração?

35. A última semana: um relato detalhado dos dias finais de Jesus / Marcus J. Borg, John Dominic Crossan

Trecho: ...Havia uma terrível ambiguidade, pois o sacerdote que representava os judeus diante de Deus no Dia da Expiação também os representava diante de Roma no resto do ano.

34. A arte de calar / Abade Dinouart

Trecho: O primeiro grau da sabedoria é saber calar; o segundo, saber falar pouco e moderar-se no discurso; o terceiro é saber falar muito sem falar mal e sem falar demais.

33. Cristianismo criativo?: uma visão sobre o cristianismo e as artes / Steve Turner

Trecho: A mensagem especial era a seguinte: "Você precisa de Jesus, John." Lennon leu toda a carta para mim, colocou o jornal em sua mesa e perguntou: "O que você acha disso?". Estou certo de que esperava que eu zombasse do remetente, como muitos outros jornalistas músicos teriam feito, porém, não foi o que fiz.

32. Viciados em mediocridade: cristianismo contemporâneo e as artes / Frank Schaeffer

Trecho: A tendência da mídia televisiva cristã é escandalosa em se tratando de seu abandono da qualidade, de sua adoção de uma linguagem panfletária, de sua repetitividade e de sua realidade hipócrita - o eterno sorrido polido de "levantamento de ofertas e louvor a Deus"

31. Como a Starbucks salvou minha vida: a história real de um homem que perdeu tudo e encontrou a felicidade servindo café / Michael Gates Gill

Trecho: Lá fora, o sol brilhava. Percebi de repente, com desespero, que não tinha para onde ir. Pela primeira vez em 25 anos, não tinha clientes me esperando para que eu explicasse uma campanha publicitária. Comecei a andar e me surpreendi chorando na rua.




30. Albert Camus e o Teológo / Howard Mumma


Trecho: Apesar de seu brilhante sucesso e de sua fama como escritor, a tristeza em sua emoção predominante. Fiquei imaginando o que se passava em sua cabeça naquele momento.

29. É cristã a igreja evangélica? / Magno Paganelli

Trecho: Sente-se à mesa de reunião de pastores de igrejas assim, e o que mais ouvirá é sobre a possibilidade de ascenção, as chances de assumir essa ou aquela igreja maior e com mais recursos...

28. Fuga da Coréia do Norte: uma busca desesperada por alimento, amor e vida / Paul Estabrooks

Trecho: Desde a infância, os norte-coreanos são ensinados de que o seu estilo de vida é o melhor do mundo. Entretando, com número cada vez maior de pessoas está chegando à conclusão de que a vida em seu país é desespero e pessimismo, que tudo lembra um estado de contínua miséria....

27. Ortodoxia / G. K. Chersterton

Trecho: Do ponto de vista moral, eles são igualmente tremendos: ele chama a si mesmo de espada e matança e pediu aos homens que comprassem espadas, mesmo que para isso tivessem que vender suas vestes.

26. A arquitetura na história em quadrinhos / François Chastin

Trecho: A arquitetura... deixa de ser o desenho acabado, adquire vida e matéria, irradia ou fenece. Ela acompanha os momentos da narrativa, reforça as emoções suscitadas, quer de modo frontal, como que num choque brutal, quer constituindo apenas um horizonte discreto, paisagem imperceptível onde se desenrola a ação.

25. Os Gêneros literários: seus fundamentos metafísicos / Olavo de Carvalho

Trecho: Os versos são como gotas de chuva, que pingam repetidamente, e a prosa é um rio que corre sem interrupções. Daí uma certa "superioridade" do verso, porque "vem do céu", como a fala descontínua e enigmática dos anjos e dos oráculos, enquanto a prosa desliza ao rés-do-chão como a fala cotidiana dos homens.

24. A ceia secreta: as intrigas e os mistérios do quadro de Leonardo da Vinci / Javier Sierra

Trecho: - A arte é mais necessária do que suas armas, Santo Padre! Mantenha-se sempre ao seu serviço e dominará a cristandade! Perca-a e fracassará em sua tarefa pastoral!

23. A mala de Hana: uma história real / Karen Levine

Trecho: George procurou nos olhos de Marta alguma informação, alguma esperança. Ela percebeu que George ainda não sabia o que acontecera com Hana. - George -disse ela, calmamente, de maneira simples, segurando as maõs dele - , Hana foi enviada para morrer na câmara de gás, em Auschwitz, no mesmo dia em que chegou. Sinto muito, George. Hana está morta. Os joelhos de George viraram gelatina e todo seu mundo escureceu.


22. O vôo da serpente e o tombo do condor / Antonio Silvestre

Trecho: É, a ignorância ri, ironiza e zomba do que é certo; pois, para ela, o certo é o que ela pensa que é certo. E ponto-final. Ninguém jamais conseguirá removê-la da idéia. Não haverá argumento capaz disso.


21.O poder do cárcere: como Deus usa a prisão para expandir seu reino / Jim Cunningham , Paul Estabooks

Trecho: Hoje há centenas de cristãos expatriados - como nossos irmãos filipinos - estã ainda hoje naquelas terríveis prisões da Arábia Saudita. Mesmo em países livres, como o Peru, centenas de cristãos injustamente estão encarcerados e esperam por justiça. Eles precisam de nossas orações.



20. A fé que persevera: guia essencial sobre a perseguição à Igreja / Ronald Boyd-MacMillan

Trecho: A história completa da igreja perseguida contemporânea permanece tragicamente desconhecida. Ouvimos muitas histórias de livramento de alguns, mas não o bastante sobre a história de resistência de muitos. Existe uma narrativa maior e mais expressiva da ação de Deus subjacente às histórias individuais de sofrimento, dor, livramento e resistência.

19. Arquitetur aventura / Katia Canton

Trecho: É muito difícil definir o jeito singular do arquiteto espanhol Antoni Gaudí (1852-1926) fazer arquitetura. Uma de suas frases mais lembradas diz "a linha reta é do homem, mas a linha curva é de Deus"


18. No tempo da graça: cutucadas e gargalhadas para o cristão bem-humorado / Jasiel Botelho

Trecho: Nunca brinque com coisa séria; pelo contrário, sempre leve a sério a brincadeira


17. Aprendendo a aprender / Alan Mumford

Trecho: Os indivíduos possuem gostos e aversões quanto à forma de aprender, assim como podem preferir ópera a balé, filmes de faroeste aos de suspense, tomar Sol em uma praia a fazer caminhada nas montanhas. Assim, temos razão para estarmos surpresos pelo fato de que pessoas diferentes possuem reações diferentes a uma experiência aparentemente similiar, que poderia envolver aprendizagem.

16. Intelectualidade cristã em crise: a síndrome de ignorância / Sandro R. Baggio

Trecho: Ninguém que tenha abraçado a fé somente por uma experiência emocional é capaz de permanecer firme quando chega a tempestade da dúvida.


15. Gerenciando com a máfia: um guia para o Maquiavel empresarial / V

Trecho: Uma coisa boa em relação a inimigos declarados: você sabe quem são eles. Um homem sem inimigos é um homem sem qualidades. Não acha? Até Jesus Cristo teve muitos, muitos inimigos.


14. Liderando com a Bíblia: ensinamentos de Jesus para renovar a sua empresa / Bill Hybels , Ken Blanchard , Phil Hodges

Trecho: Jesus certemamente não tentou agradar a todos - disse o Pastor. Sua única preocupação ao liderar foi agradar a Deus.


13. Princípios essenciais das pessoas altamente eficazes / Stephen R. Covey

Trecho: Ser proativo é mais do que tomar a iniciativa. É reconhecer que somos responsáveis pelas nossas próprias escolhas e que temos a liberdade de escolher com base em princípios e valores, mais do que em circunstâncias e condições. As pessoas proativas são agentes da mudança e escolhem não ser vítimas, não ser reativas, nem pôr a culpa nos outros.




12. O evangelho segundo os Simpsons: a vida espiritual da família mais espiritual da família mais divertida do mundo / Mark I. Pinsky

Trecho: Bart e seu amigo Milhouse encontram uma revista Mad, com uma página dobrada. Era a página de palavras cruzadas, em que havia uma pergunta: "O que os evangélicos mais adoram? Bart, em um instante de inocência, diz Deus seu amigo acha que é Jesus. Eles viram que a resposta era dinheiro.

11. O jardim das aflições: de Epicuro à ressureição de César: ensaio sobre o materialismo e a religião civil / Olavo de Carvalho

Trecho: ...a dialética do poder no Estado moderno é diabolicamente simples: incentivados a fazer uso de seus direitos, os cidadãos reivindicam mais e mais direitos; os novos direitos, ao serem reconhecidos, transformam-se em leis; as novas leis, para poderem ser aplicadas, requerem a expansão de burocracia fiscal, policial e judiciária; e assim o Estado se torna mais poderoso e opressivo quanto mais se multiplicam as liberdades e direitos humanos.


10. O lado oculto da globalização: como defender-se dos valores da nova ordem mundial / Tom Sine

Trecho: Nós cristãos....somos parecidos com a cultura à nossa volta que pouca coisa nos diferencia dos outros e não temos argumentos com que chamar os outros à conversão.


9. Cabeças feitas: filosofia práticas para cristãos / Luiz Sayão

Trecho: Conforme observou Francis Schaeffer, o cristianismo foi tremendamente ridicularizado por uma sociedade humanista, racionalista e iluminista há apenas dois séculos por falta de "lógica e racionalidade", e agora em pleno Século XX, aparece como uma das poucas propostas filosófico-religioas que ainda sustenta o valor da razão para à interpretação da vida.


8. Como entender a pós-modernidade: o desafio de conduzir a igreja segundo os princípios bíblicos ; Antônio Tadeu Ayres

Trecho: Mais do que nunca, o testemunho, o caráter e o estilo de vida dos cristãos estão não apenas sob suspeita, mas também sob os microscópios e telescópios da sociedade secular.


7. O olhar da incerteza: crítica da cultura contemporânea / Israel Belo de Azevedo
Trecho: É como se vivêssemos numa sociedade de espetáculo, como tudo fosse o show que se vê, mas não se muda. Até mesmo crescer na vida é transformado numa representação.


6. O ataque às idéias: como os tubarões podem arrastar as empresas ao fundo atacando as idéias, as inovações e as pessoas criativas / Antonio Carlos Teixeira da Silva

Trecho: ...invariavelmente, deparamo-nos com o tubarão, ou, às vezes, cardumes de tubarões com apetite voraz para atacar tudo o que é novo, o que é diferente, o que é desconhecido. Atacam tão agressivamente que nadadores experimentados ficariam com medo de nadar até em piscina.

5. A palavra dos perseguidos: aprendendo a ouvir aqueles que sofrem por Cristo / Alex Buchan & Paul Estabrooks

Trecho: O perdão é uma parte inicial da vida cristã. A ausência de perdão gera amargura, aridez e enfermidade emocional. Assim como temos o dever de perceber que somente o perdão gera a cura e restauração necessária, também devemos perdoar porque Deus nos perdoou.



4. A origem da linguagem ; Eugen Rosenstock-Huessy

Trecho: Toda e qualquer linguagem está sujeita a abuso e incompreensão, porque necessita de continuidade...ou ela constrói uma sociedade, ou morre.

3. Jesus para Presidente: e se Jesus se candidatasse à presidência dos Estados Unidos? / Roland Merullo

Trecho: ....se dizem cristãos. São politicamente ativos. Contra os impostos. Contra o governo. Contra os gays. Contra o aborto. Contra a evolução. Contra os católicos. Contra os judeus. Contra as pessoas de cor. A favor de atrair muito dinheiro.

2. Carta ao pai / Franz Kafka

Trecho: Para mim sempre foi imcompreensível tua falta total de sensibilidade em relação à todos e à vergonha que podias me infligir com palavras e veredictos...


1. A vida que Deus recompensa: o que você faz hoje influencia seu futuro na eternidade / Bruce Wilkinson

Trecho: Ninguém fez mais declarações chocantes...do que Jesus de Nazaré com frequência, seus ensinamentos deixavam o público espantado, aturdido e até ultrajado.

Richard Dawkins leva luta contra Deus e os criacionistas a Paraty

Uma das principais atrações da Flip, o biólogo Richard Dawkins tornou-se uma celebridade – e um guru – numa guerra importante, que opõe, em pleno século XXI, razão versus fé. No ano em que se comemoram os 150 anos de “A Origem das Espécies”, de Charles Darwin, Dawkins representa uma das vozes mais ativas no combate ao criacionismo, a noção que explicações religiosas podem nos ajudar a entender a origem do mundo.

Dawkins participará da Flip em um encontro mediado pelo jornalista Silio Boccanera sobre o tema “Deus, um Delírio”, título de um de seus livros mais famosos e polêmicos (lançado no Brasil pela Companhia das Letras, em 2007). A Feira Literária de Paraty é também uma oportunidade para o lançamento, por aqui, de outro livro de Dawkins, “A Grande História da Evolução”, no qual o autor sublinha a importância de Darwin.

Em entrevista a “O Globo”, publicada no sábado (27 de junho), Dawkins expõe claramente as duas linhas de sua batalha pública. De um lado, ao fazer uma defesa feroz do ateísmo, combate o que chama de “muito do mal do mundo”, atribuído à religião. “Não acho que haja nada de errado em ser radical em busca da verdade. Eu busco provas científicas. Busco provas para explicar por que o Universo é como é – é isso que me interessa”, diz.

Na outra frente, está engajado numa cruzada de cunho educacional junto a leigos, no esforço de desmontar os argumentos usados por criacionistas espalhados pelo sistema educacional. Em reposta a “O Globo”, que pergunta o que há de poderoso nos argumentos criacionistas, a resposta de Dawkins é curta e grossa: “A ignorância da população”. E acrescenta: “As pessoas, em geral, não sabem nada sobre a evolução”.

A palestra do biólogo na Flip, portanto, é cercada pela expectativa de frases fortes e polêmicas. Para quem não vai – ou mesmo quem estará presente – a recomendação principal é: leia Dawkins.

Fonte: Último Segundo

Religiosos recorrem à Justiça trabalhista

Católicos, protestantes e evangélicos recorrem à Justiça do Trabalho reivindicando direitos como FGTS, indenizações, multa rescisória e contagem de tempo para aposentadoria. Ex-padres, pastores e fiéis têm argumentado no Judiciário que a missão não foi apenas profissão de fé, mas também de fato. A reportagem é do jornalista Evandro Éboli, do jornal O Globo.

A iniciativa de acionar o Judiciário cresce entre os evangélicos. O Tribunal Superior do Trabalho registra várias causas de religiosos de instituições como Igreja Universal do Reino de Deus e Assembleia de Deus. A jurisprudência que vem sendo criada nesse tipo de ação é a de negar o entendimento de que atividade religiosa significa vínculo empregatício.

Dos casos que chegaram ao TST, nenhum foi acolhido. Para o juiz Alessandro da Silva, de Santa Catarina, a tendência será mesmo de os tribunais não acolherem essas ações. Para ele, não há relação de emprego na missão religiosa. “Não está comprovada subordinação institucional; não há salário; não se configura trabalho permanente. É difícil que a Justiça conceda benefícios”, disse.

Um dos casos que chegou ao Judiciário é o do pastor evangélico Cleriston Chagas de Souza. Ele entrou com ação contra a igreja Plenitude de Deus, na cidade-satélite do Gama, no Distrito Federal, argumentando que, durante dois anos, celebrou cultos, arregimentou fiéis e não recebeu o salário combinado. Cleriston quer receber R$ 15 mil de indenização, mais tempo de serviço. “Fiz de tudo na igreja, até capinar e limpar o terreno. Sou formado pastor há 10 anos”, disse.

Depois de atuar 20 anos como freira, a religiosa Silvina Ortiz, deixou a congregação sem direitos trabalhistas, e queixa-se do desamparo. Até recentemente, auxiliava o trabalho em creches de filhos de mulheres operárias em bairros da periferia de São Paulo. “Quando se deixa a congregação, é uma humilhação. Nem ao menos dão um recibo do tempo de serviço para levar ao INSS. É uma contradição entre o que se prega e o que se vive”, disse Silvina. Mas ela não pretende acionar o Judiciário. “Apesar de tudo, o laço com a Igreja Católica é muito forte”, afirma.

O secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Dom Dimas Lara, critica os que buscam indenizações por terem servido à Igreja Católica. “O voto de pobreza que fiz não é regido pela CLT. O que não dá para aceitar é que um religioso, que conscientemente optou pela Igreja, que fez voto de pobreza, que se ajoelhou e jurou de pé junto, saia da instituição e vá buscar indenização na Justiça. Vida religiosa não é regime de trabalho”, disse.

O promotor Roberto Livianu, presidente do Movimento do Ministério Público Democrático, discorda de Dom Dimas. Para ele, a dedicação de um religioso deve ser remunerada, e não se trata de um serviço voluntário, e sim de uma relação de emprego, que envolve horas de trabalho e subordinação. “O trabalho do ministro religioso, exercido de maneira habitual e com subordinação a superior, está coberto pela legislação trabalhista. É um trabalho profissional que deve ser acobertado pela lei, e os benefícios precisam estar assegurados”, entende.

Reivindicação antiga
O presidente da OAB do Rio de Janeiro, Wadih Damous, que advoga na Justiça trabalhista, já entrou com uma ação, defendendo a existência de relação empregatícia entre religiosos e igreja há quase 30 anos. “É um trabalho que merece ser remunerado como outro qualquer.”

Damous entende que o trabalho precisa ser remunerado porque há subordinação hierárquica e até horário definido de atuação profissional. Em 1981, Damous perdeu a causa mas tem certeza que a atual Justiça trabalhista vai dar ganho de causa aos padres.

A ação defendida por Damous correu na Justiça maranhense e era reivindicada pelo padre Heider, do município de Viana (MA), mais conhecido como “padre Vermelho”, por sua simpatia com a esquerda e ser perseguido pelo arcebispo local. “Padre Heider foi um dos meus primeiros clientes”, disse.

Fonte: Conjur

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Por toda parte

"A teologia está um pouco por toda parte"
Paul Valéry

Salvos da perfeição



Não é difícil perceber, entre cristãos, um jeito “angelical” de ser. Em nome de Deus insinuamos um ideal de santidade e nos impomos uma agenda “divina”: uma vida sem contradições, dúvidas, aflições. E, pior, sem pequenos prazeres, sem alegrias banais.

Porém, o Deus bíblico insiste em se encontrar conosco não em “outra vida”, mas na vida mesma que temos. Ele quer nos ajudar a vencer a pretensão venenosa, insinuada pela Serpente, de uma vida perfeita. Salvos da Perfeição foi escrito para nos livrar deste veneno.

Leia um trecho

Sistema Integrado de Vagas e Currículos para Pessoa com Deficiência

Foi lançado nesta segunda-feira o primeiro site de empregos feito exclusivamente para atender pessoas com deficiência, em cerimônia realizada no Memorial da América Latina.

O Sistema Integrado de Vagas e Currículos para Pessoa com Deficiência permitirá que os interessados cadastrem seus currículos gratuitamente e tenham acesso a vagas de emprego, sem a ajuda de terceiros.

As empresas também poderão consultar o perfil dos candidatos no banco de dados do sistema e contratar portadores de deficiência para cumprir a Lei de Cotas do governo federal.

O sistema deve abranger todo o território nacional e pretende colaborar com a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. As páginas do novo portal possuem ferramentas que permitem a utilização do sistema por deficientes visuais, auditivos, motores e mental.

O projeto foi desenvolvido pelo Sindicato das Empresas de Limpeza Urbana no Estado de São Paulo (SELUR), com o apoio do Ministério do Trabalho e Emprego.

Para se cadastrar ou consultar o sistema de vagas, bata acessar o site www.selursocial.org.br

Fonte: Band

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Vaticano anuncia descoberta da imagem mais antiga de São Paulo

Pintura do século 4 traz o rosto do apóstolo e foi encontrada em catacumba romana.


O Vaticano anunciou a descoberta de um afresco do século 4 que retrata São Paulo e afirmou que se trata da mais antiga imagem que se conhece do santo.

A pintura foi descoberta em Roma durante as obras de restauração de uma catacumba romana.

O afresco estava debaixo de uma camada de argila endurecida na catacumba de Santa Tecla, em Roma, a poucos metros da Basílica de São Paulo Fora dos Muros – dedicada ao apóstolo que se converteu ao Cristianismo após ter perseguido os cristãos.

A pintura foi descoberta no dia 19 de junho, mas o anúncio foi feito apenas neste final de semana, na edição de domingo do jornal L'Osservatore Romano, órgão oficial da Santa Sé.

Segundo o Vaticano, trata-se da mais antiga imagem conhecida do santo, considerado o "príncipe dos apóstolos".

A notícia sobre a descoberta do afresco de São Paulo foi anunciada no final do ano dedicado ao santo, encerrado pelo papa Bento 16 no último domingo. O ano paulino celebrou os 2 mil anos do nascimento de São Paulo.

Durante a cerimônia de encerramento, o papa anunciou que os restos guardados na basílica de São Paulo Fora dos Muros, em Roma, pertencem de fato ao apóstolo, uma das principais figuras do cristianismo.

Os resultados das análises feitas usando o teste com carbono 14, teriam confirmado que os ossos sepultados na Basílica dedicada ao santo pertenceriam de fato ao apóstolo.

Detalhes

As pinturas foram encontradas num antigo cemitério cristão, no teto de uma pequena parte da catacumba que tinha ficado enterrada durante séculos.

No afresco, o apóstolo aparece com os traços característicos de sua figura, já conhecidos por meio de outras pinturas.

A imagem é rodeada de um círculo vermelho de tonalidade forte, como os afrescos típicos da antiga Pompeia, emoldurado por uma faixa amarela. A pintura retrata um rosto magro e comprido, com barba escura e fina na ponta, cabeça calva, nariz grande e olhos expressivos, com ar pensativo.

A pintura veio à tona após mais de um ano de obras de restauração, coordenadas pela Pontifícia Comissão de Arqueologia Sacra, que definiu a descoberta como "sensacional".

Os restauradores afirmam que o tradicional sistema de limpeza mecânico não foi suficiente para retirar as camadas de argila e garantir a conservação dos afrescos, considerados de alta qualidade pelo grupo. Eles tiveram que usar instrumentos de raio laser.

"O arqueólogos que trabalham ali há mais de um ano ficaram impressionados. O laser iluminou o rosto bem reconhecível de São Paulo. Por suas características, pode ser considerado o ícone mais antigo do apóstolo de que se tem notícia", descreve o jornal do Vaticano.

Segundo os arqueólogos, a pintura representa uma figura que foi escolhida para proteger os mortos da família cujos túmulos estavam localizados na catacumba.

Além de São Paulo, os afrescos retratam outros personagens, entre eles São Pedro, mas em pior estado de conservação.

São Paulo foi decapitado em Roma em torno do ano de 65 depois de Cristo, após o incêndio que destruiu a cidade. Ele é festejado, com São Pedro, no dia 29 de junho.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Observatório do Vaticano quer aproximar ciência e catolicismo‎

"Réquiem" de Fauré está tocando no fundo, seguido pelo quarteto de cordas Kronos Quartet. De vez em quando, a música é interrompida por um arpejo eletromecânico - como um refrão de jazz no clarinete - enquanto os motores guiando o telescópio giram para cima e para baixo. Uma noite de contemplação da galáxia está prestes a começar no observatório do Vaticano em Mount Graham.

"Entendi. Certo, é alegre", diz Christopher J. Corbally, o padre jesuíta que é vice-diretor do Grupo de Pesquisa do Observatório do Vaticano, sentado na sala de controle fazendo ajustes. A idéia não é procurar por presságios ou anjos, mas sim realizar astronomia profissional que combate a percepção de que a ciência e o catolicismo estão necessariamente em conflito.

No ano passado, durante o discurso de abertura de uma conferência em Roma, chamada "Ciência 400 anos após Galileo Galilei", o cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado do Vaticano, elogiou o antigo antagonista da Igreja como sendo "um homem de fé que viu a natureza como um livro escrito por Deus."

Em maio, como parte do Ano Internacional da Astronomia, um centro cultural jesuíta em Florência, Itália, conduziu "uma reexaminação histórica, filosófica e teológica" do tema Galileo. Mas em um esforço para reabilitar a imagem da Igreja, nada fala mais alto do que um artigo de um astrônomo do Vaticano em periódicos como The Astrophysical Journal ou The Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Em uma noite clara de primavera no Arizona, o foco não está na teologia, mas na longa lista de tarefas mundanas que dão vida ao telescópio. Enquanto monitora o céu, o instrumento enorme desliza sobre um anel de óleo pressurizado. Bombas devem ser ativadas, medidores checados, computadores reiniciados. O sensor eletrônico do telescópio, similar ao de uma câmera digital, deve ser resfriado com nitrogênio líquido para evitar que os megapixels se distorçam com o imenso barulho.

Enquanto Corbally corre de estação em estação ligando interruptores e virando discos, ele se parece mais com um engenheiro de manutenção do que com um padre ou até mesmo um astrônomo. Finalmente, quando tudo está pronto, a luz estelar recolhida por um espelho de 1,82 metros é fragmentada em bits eletrônicos, que são reconstituídos como luz em sua tela de vídeo.

"Muito da observação nos dias de hoje é assistir a monitores e operar computadores", Corbally diz. "As pessoas dizem, 'Ah, deve ser tão bonito ficar lá fora olhando para o céu.' Digo a elas que é ótimo se você gosta de ver TV."

Vestindo jeans e uma camisa de trabalho, ele não é um homem que usa sua religião na manga. Nenhuma prece é feita antes de um rápido jantar na cozinha do observatório. Na verdade, o único sinal de que o Telescópio de Tecnologia Avançada do Vaticano é fundamentalmente diferente de outros em Mount Graham, lar do complexo astronômico internacional operado pela Universidade do Arizona, é uma placa dedicatória na porta.

"Essa nova torre para o estudo das estrelas foi erguida neste local pacífico", lê-se em latim. "Que aquele que aqui buscar, noite e dia, pelos distantes confins do espaço use-a alegremente com a ajuda de Deus." E é nesse momento que a religião acaba e a ciência começa.

O interesse da Igreja Católica Romana nas estrelas começou por preocupações puramente práticas, quando o Papa Gregório XIII no século XVI recorreu à astronomia para corrigir o fato do calendário juliano não estar em sincronia com o céu. Em 1789, o Vaticano inaugurou um observatório na Torre dos Ventos, que posteriormente foi realocado para uma colina atrás da Cúpula de São Pedro. Nos anos 1930, os astrônomos da Igreja se mudaram para o Castelo Gandolfo, a residência de verão do Papa.

Com a propagação pela zona rural da iluminação de Roma, do tipo elétrico, a Igreja começou a procurar por um topo de montanha em um canto obscuro do Arizona.

A construção em Mount Graham foi uma luta. Índios apaches afirmaram que o observatório era uma afronta aos espíritos da montanha. Ambientalistas disseram que ele era uma ameaça a uma subespécie do esquilo-vermelho.

Ocorreram protestos e ameaças de sabotagem. Foi apenas em 1995, três anos após o edito da Inquisição contra Galileo ter sido revogado, que o novo telescópio do Vaticano fez suas primeiras observações científicas.

O alvo recente do telescópio foram as três galáxias espirais - números 3165, 3166, 3169 no Católogo de Objetos NGC - a cerca de 60 milhões de anos-luz da Terra, localizadas ligeiramente ao sul da constelação de Leão. Sentada em uma escrivaninha perto de Corbally estava Aileen O'Donoghue, uma astrônoma da Universidade St. Lawrence em Canton, Nova York, que está interessada em saber como essas massas gravitacionais puxam umas às outras, criando o equivalente estelar das marés.

"Expondo, 30 minutos", ela diz. Enquanto canções célticas tocam na sala de controle, dados são armazenados em hard drives e uma coluna de números passa por sua tela de computador. O'Donoghue, de criação católica, é autora de "The Sky Is Not a Ceiling: An Astronomer's Faith" ("O céu não é um teto: a fé de um astrônomo", em tradução livre), no qual ela descreve como perdeu e então redescobriu Deus "na vastidão, estranheza, abundância, aparente falta de sentido e até mesmo violência desse universo inacreditável."

Em pessoa, ela não é nem de perto tão intensa. Enquanto esperava uma imagem se formar na tela, ela foi até a varanda para olhar o céu não processado. No aglomerado de estrelas chamado "Presépio", uma das coisas que Galileo viu com seu telescópio, está a brilhante constelação de Câncer. Ao lado dela, está a constelação de Leão, onde O'Donoghue procura por marés gravitacionais.

"É o céu de verdade que importa," O'Donoghue diz. Ela descreve como faz seus alunos de graduação irem para fora olhar a Ursa Maior em diferentes pontos da noite. Eles voltam e dizem, 'Ela se move!'" - palavras que Galileo lendariamente pronunciou após ter sido forçado a desmentir sua descoberta. "Você pode dizer aos alunos que a Terra está em rotação, mas até eles verem com seus próprios olhos, eles não estão fazendo ciência", ela disse. "Seria a mesma coisa que ensinar teologia e a Escritura."

De volta à sala de controle, O'Donoghue explica como as marés gravitacionais que está estudando poderiam ser berçários estelares. Quando uma galáxia toca outra, nuvens de gás são misturadas tão violentamente que dão vida a estrelas.

No relatório anual do Observatório do Vaticano, na parte em que uma corporação descreveria sua estratégia de negócio, está uma seção que delineia a diferença entre creatio ex nihilo (criação a partir do nada) e creatio continua: "o fato de que a cada instante, a existência contínua do próprio universo é deliberadamente determinada por Deus, que, desta forma, continuamente faz com que o universo permaneça criado."

Teólogos chamam isso de "causas primárias", aquelas que fluem a partir de um propulsor impassível. No topo dessa plataforma eterna está outra camada, "as causas secundárias", que podem ser seguramente deixadas a cargo da ciência.

Corbally e O'Donoghue continuam trabalhando noite afora, coletando dados sobre causas secundárias - marés galácticas, nascimentos de estrelas. O descanso terá que esperar até a manhã e os pensamentos sobre as causas primárias ficarão para outra hora.


Fonte: Terra

Metrô londrino vai divulgar doses diárias de filosofia



Turistas e moradores que utilizam o metrô de Londres estão escutando, desde ontem, frases célebres de pensadores como Jean-Paul Sartre, Mahatma Ghandi e Albert Einstein. O objetivo é fazer os passageiros lembrarem que o mais importante na vida não é chegar o quanto antes à estação de destino.

A ideia partiu do Serviço de Transportes londrino, que encarregou o vencedor do prêmio Turner de Arte Contemporânea Jeremy Deller a compilar as melhores reflexões filosóficas para "humanizar" o muitas vezes longo e agoniante trajeto de metrô. "A vida é mais do que aumentar a velocidade", de Mahatma Ghandi, ou "um tropeço previne a queda", do escritor britânico Thomas Fuller, são algumas das frases que os passageiros irão ouvir.

Em um primeiro momento, a ideia de Deller era substituir os tradicionais anúncios sobre a situação das linhas e substituí-los por essas "lições de filosofia". No entanto, ficou decidido que os dois tipos de mensagens serão alternados. Segundo a responsável pelo projeto, Sally Shaw, o objetivo é "melhorar a interação" entre os usuários e "fazer fluir os pensamentos que cada um tem durante a viagem".

Os próprios condutores dos trens escolherão as melhores frases, adequadas a cada tipo de situação. Assim, por exemplo, Deller afirmou que a frase de Jean-Paul Sartre "o inferno são os outros" não deve ser usada se o trem estiver parado em um túnel, momento em que seria bom pensar que "um tropeço previne a queda". "Espero que essa iniciativa introduza um pouco de senso de humor", disse o artista.

Fonte: Jornal Agora

Domingo, 28 de Junho de 2009

Igreja Pentecostal Deus é Amor: origens, características e expansão



Tese de Mestrado em Ciências da Religião defendida na Universidade Metodista de São Paulo

Procurou-se demonstrar que a Igreja Pentecostal Deus é Amor - IPDA é uma Igreja, em expansão nas últimas cinco décadas. A Dissertação de Mestrado indica que a IPDA elegeu a mídia radiofônica, seu jornal e suas próprias revistas para divulgar suas atividades. O estudo demonstra que a IPDA é alheia à política, não dá entrevistas às demais rádios, proíbe o uso da televisão e não atende jornalistas nem pesquisadores. Com base na experiência do autor de 11 anos de atuação na Igreja Pentecostal Deus é Amor, incluindo cinco anos como diácono, resgatou-se detalhes que fornecerão subsídios aos meios acadêmicos e aos pesquisadores dos fenômenos pentecostais da atualidade. Ao cobrir certo espaço ainda não pesquisado pela academia, complementou-se, por outro lado, dados que não constam da autobiografia de David Martins de Miranda, fundador da IPDA. Por fim, procurou-se identificar características doutrinárias da IPDA e dos seus processos administrativos, que denotam certa tendência de profissionalização de parte da equipe da diretoria no processo sucessório. Abordou-se, ainda, a questão da reprodução da instituição, mantida até aqui debaixo do carisma de seu fundador que vem administrando sua Igreja com todas as características de uma empresa familiar, dentro de um gradiente seita/igreja. As conclusões demonstram as estratégias que permitiram a expansão da IPDA alicerçada nas suas rádios, nas suas grandes concentrações, no seu apelo proselitista e na arrecadação de recursos, fatores que alimentam e suportam o crescimento da Igreja Pentecostal Deus é Amor.

Clique aqui para o arquivo - páginas 1-103 [pdf]
Clique aqui para o arquivo - páginas 104-207 [pdf]
Imagem: Internet

Sábado, 27 de Junho de 2009

Índice de Liberdade Econômica no Mundo



O índice Liberdade Econômica no Mundo mede o grau de apoio à liberdade econômica oferecido pelas políticas públicas e instituições dos diversos países. As bases da liberdade econômica são a escolha individual, a troca voluntária, a liberdade de competir e a segurança da propriedade privada. Usam-se quarenta e duas variáveis para elaborar um índice sumário e medir o grau de liberdade econômica em cinco grandes áreas: (1) tamanho do governo; (2) estrutura jurídica e segurança dos direitos de propriedade; (3) acesso a moeda estável; (4) liberdade de comércio exterior; e (5) regulamentação de crédito, trabalho e negócios.


Clique aqui para o dowload do arquivo em PDF [233 p.]

Fonte: Ordem Livre

Comissão vai à ONU acusar Universal de intolerância religiosa

Relatório aponta perseguição a religiões afro; procurada pela Folha, igreja não se manifestou


A Comissão de Combate à Intolerância Religiosa entregou ontem ao presidente do Conselho de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas), Martin Uhomoibai, e à Secretaria de Promoção da Igualdade Racial relatório que diz existir uma "ditadura religiosa" promovida pelos neopentecostais no Brasil.

O documento aponta a Igreja Universal do Reino de Deus como propagadora da intolerância religiosa no país, incitando a perseguição, o desrespeito e a "demonização", especialmente da umbanda e do candomblé.

O documento relata 15 casos atendidos pela comissão que se transformaram em 34 ações judiciais no Rio de Janeiro, além de três vítimas que vivem ameaçadas e outros 10 casos de intolerância religiosa em outros quatro Estados.

Há ainda um capítulo que trata do conflito entre neopentecostais e imprensa, que cita reportagem da Folha sobre o império econômico construído pela Igreja Universal. "A Igreja Universal do Reino de Deus, copiada por outras independentes, vem tentando intimidar a imprensa livre. Centenas de ações judiciais são movidas contra veículos de comunicação e profissionais da área", diz o relatório, referindo-se a mais de uma centena de ações na Justiça movidas por fiéis contra o jornal. Até agora, houve 74 sentenças, todas favoráveis à Folha. Em 13 casos, os juízes condenaram os autores por litigância de má-fé -quando se faz uso indevido da Justiça.

A Folha telefonou para a assessoria jurídica da Igreja Universal em São Paulo, que solicitou um e-mail com as perguntas. Até a conclusão desta edição, não havia resposta.

A Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, formada por 18 instituições, como a Federação Israelita do Rio e a Congregação Espírita Umbandista do Brasil, pediu para a ONU fazer o seu próprio diagnóstico sobre as denúncias.

"Não estamos perseguindo ninguém, mas mostrando que a democracia corre risco. Estamos sendo demonizados em programas de rádio e TV", afirma Ivanir dos Santos, presidente da comissão.

Segundo Ronaldo de Almeida, antropólogo da Unicamp, a Igreja Universal cresce combatendo outras religiões. Autor do livro "A Igreja Universal e seus Demônios", ele defende que a igreja fortalece seu discurso a partir da relação que estabelece entre religiões afro e problemas financeiros ou na família. "Seu discurso fica mais forte se demonizar os outros. Há, de fato, uma intolerância religiosa", explica Almeida.

O uso da mídia por grupos dentro da Igreja Universal é destacada por Ricardo Mariano, doutor em sociologia pela USP. Para Mariano, os veículos são utilizados para atacar outras religiões. O sociólogo discorda, porém, do viés racista apontado pelo relatório. Segundo o professor, a atitude adotada pela Igreja Universal é motivada por questões estritamente religiosas.

O subsecretário de Políticas para Comunidades Tradicionais da Secretaria de Igualdade Racial, Alexandro Reis, diz que o Plano Nacional contra a Intolerância Religiosa será apresentado em janeiro de 2010.


Fonte: Folha de S. Paulo

Turismo na Coréia do Norte cultua líder comunista


Na Coreia do Norte, conhecida por ser uma das nações mais fechadas do mundo, o culto a Kim Il-Sung, ditador que liderou o país por 46 anos, desde sua criação, toma proporções de religião. Até a constituição norte-coreana dá uma pista: Kim - que morreu em 1994 - é declarado presidente eterno.

A imagem do governante comunista está mesmo eternizada pelas ruas da capital Pyongyang. Monumentos dedicados a marcos de sua vida e história política se espalham por toda a cidade, e são impressionantes tanto pelo tamanho, quanto pelo nível de detalhamento e simbolismos.

A opulenta estátua de bronze do líder é uma parada obrigatória para quem visita a cidade - e obrigatória aqui está em sentido literal, já que só é possível visitar o país com guias oficiais e percorrendo rotas pré-estabelecidas. Sobre um monte, o monumento de traços bastante realistas estende seu braço sobre Pyongyang, como que exortando o povo.

Ali, os turistas deixam flores e fazem um momento de reflexão em nome do Grande Líder. O detalhe é que essa homenagem não é opcional - todos os visitantes precisam fazê-la, sob olhos atentos de seus guias. Rebelar-se pode resultar não só em deportação, como na punição dos acompanhantes designados pelo governo.

Ao lado da estátua, outros monumentos gigantescos evocam o que dentro do país se divulga como a vitória do presidente e do comunismo norte-coreano. Grandes bandeiras são ladeadas por soldados e proletários, desenhados em posição de comemoração.

As evocações não param por aí: no mesmo local, há ainda estátuas homenageando a solidariedade entre os partidos comunistas e outras representando os símbolos do regime local - ao martelo e à foice, a Coreia do Norte adiciona um pincel, colocando os intelectuais para completar uma tríade ao lado de operários e camponeses. Não haverá muito tempo para se admirar a riqueza do trabalho dos escultores, pois logo o guia apressará o grupo para uma nova atração.

E essa atração será o Arco do Triunfo. Isso mesmo, há uma versão maior do famoso símbolo de Paris na capital da Coreia do Norte. O triunfo representado aqui seria a vitória do país sobre os japoneses, que ocuparam a península coreana até o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945. Nada se menciona sobre a ajuda dos Aliados nessa batalha, e nem adianta perguntar a seu guia.

Quem considera esse arco megalomaníaco vai mudar de idéia no próximo ponto do tour. A Torre da Ideia Juche é a principal atração da cidade. Com 170 metros de altura e uma grande chama em seu topo, ela está localizada à beira do rio Taedong.

Subi-la oferece um belo visual da capital reconstruída com avenidas largas e prédios de concreto suntuosos. A torre foi erguida para comemorar o 70º aniversário de Kim Il-sung e, por isso, sua construção utilizou exatamente 25.550 blocos de granito - um para cada dia de vida do ditador até aquela data.

Fonte: Terra

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Sucesso


"Sucesso é ir de fracasso em fracasso sem perder o entusiasmo"
Wiston Churchill

Brasil tem primeiras prisões por intolerância religiosa

Pastor Tupirani em vídeo no YouTube quebra imagens sagradas de outras religiões

Pela primeira vez, o crime de intolerância religiosa levou acusados à prisão no país. O pastor Tupirani da Hora, líder da igreja Geração Jesus Cristo, e o fiel Afonso Henrique Lobato estão detidos no Rio desde sexta-feira (19). Eles são acusados de serem responsáveis por invadir e depredar um templo espírita em junho do ano passado. A Justiça decretou a prisão temporária dos dois baseada no artigo 20 da lei Caó (7.716/89), de autoria do ex-deputado negro Carlos Alberto Caó (PDT-RJ), que define crimes de preconceitos de raça, religião, etnia, entre outros.

"Antigamente, um caso como esse era enquadrado como injúria ou dano ao patrimônio. É um marco histórico", afirma Jorge Mattoso, secretário da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR). A organização surgiu no ano passado para defender a liberdade de práticas religiosas, e foi responsável por denunciar o episódio da depredação do templo ao Ministério Público (MP)

O pastor Tupirani e Lobato podem pegar até cinco anos de prisão. Eles foram detidos após um culto da igreja Geração Jesus Cristo, que fica no Morro do Pinto, região portuária do Rio de Janeiro. Além de serem acusados de envolvimento na invasão ao templo espírita há um ano, a polícia investiga os dois por vídeos na internet em que fazem ofensas a outras religiões.

O pastor Tupirani, líder da igreja Geração Jesus Cristo, foi indiciado e teve a prisão decretada porque o MP e a Justiça entenderam que ele é o mentor intelectual da invasão ao templo. À época da depredação, Tupirani se disse surpreso com a atitude do grupo de fiéis da sua igreja. Em um vídeo no site YouTube, o pastor nega que sua obra seja intolerante com outras religiões, já que diz não reconhecer o que é praticado em algumas igrejas como religião. "Eu não respeito satanismo; se alguns vão chamar isso de religião, é problema deles", diz ele.

Lobato é investigado pelos crimes de intolerância religiosa, injúria qualificada e incitação ao crime desde março deste ano, quando postou um vídeo no YouTube confessando participação na invasão do templo e fazendo afirmações difamatórias a outras religiões. "Todo centro espírita é lugar de invocação do Diabo", diz Lobato no vídeo. Além disso, ele faz comentários sobre a polícia: "Aqueles policiais militares ignorantes pensam que são autoridade, mas para a igreja não são autoridade".

O delegado Henrique Pessoa, representante da Polícia Civil na CCIR, diz que as imagens obtidas na internet foram importantes no inquérito. "Eles produziram provas contra si mesmos. Sem isso, seria muito mais difícil provar a incitação ao crime", diz. "Foi uma vitória, porque em geral o incitador fica isento de qualquer punição." Segundo Pessoa, a situação se agrava por haver um incentivo à insurgência contra as autoridades: "A conduta do pastor ofende a própria democracia".

A invasão ao templo espírita

O templo espírita Cruz de Oxalá, que mistura conceitos de religiões afro-brasileiras e do Kardecismo, foi invadido e depredado em 2 de junho de 2008 por três rapazes e uma moça. O grupo invadiu o templo e quebrou imagens e utensílios. Os jovens foram contidos pelos dirigentes do centro e levados à delegacia, onde disseram que faziam parte da igreja evangélica Geração Jesus Cristo. O pastor Tupirani afirmou que os envolvidos eram 'exemplares' na igreja.
"A pena deles (jovens que invadiram o templo) foi pagar uma cesta básica", disse Mattoso, secretário da CCIR, integrada por instituições que representam diversos grupos religiosos, como umbandistas, candomblecistas, católicos, judeus, muçulmanos, hare krishnas e budistas. "Entendemos que essas ações são atitudes independentes de determinados grupos. Normalmente partem de pequenas igrejas, em comunidades onde há uma interpretação fanática do evangelho", afirma.

Fonte: Época

Vaticano pode abrir sarcófago de São Paulo

O cardeal Andrea Cordero Lanza de Montezemolo, arcipreste da Basílica de São Paulo Fora dos Muros, afirmou que o Vaticano analisa a ideia de abrir o sarcófago do apóstolo São Paulo.

- Há tempos se pensa na abertura do sarcófago de São Paulo. O papa não exclui a hipótese de um dia ordenar uma análise da tumba - contou o cardeal, ressaltando, no entanto, que é preciso considerar que o túmulo data de séculos passados e nunca foi aberto.

Montezemolo explicou que a abertura do sarcófago seria um 'trabalho pesado, já que é enorme, e levaria à demolição do altar da Basílica de São Paulo Fora dos Muros', localizada no Vaticano.

Em 2006, a Santa Sé anunciou a descoberta do sarcófago, depois de anos de escavações arqueológicas na basílica dedicada ao apóstolo. Acreditava-se que São Paulo tinha sido enterrado no local, mas não havia confirmações disto.

Segundo o arcipreste da Basílica de São Paulo Fora os Muros, alguns especialistas tentaram introduzir no túmulo aparelhos microscópicos sofisticados. No entanto, não foi possível concluir os trabalhos "porque o sarcófago tem uma espessura de 25 centímetros e não passa nada".

São Paulo é o nome apostólico de Saulo, nascido na cidade de Tarso, e é considerado uma das figuras mais importantes do cristianismo.

Na última sexta-feira, o papa Bento XVI encerrou o Ano Paulino, período litúrgico dedicado aos dois mil anos do nascimento de São Paulo.

O Ano Paulino, iniciado em junho de 2008, foi marcado por uma série de eventos religiosos de exaltação e reflexão dos trabalhos do apóstolo.

Fonte: Jornal do Brasil

Pastor dos EUA convida fiéis a levarem armas para a igreja

Um pastor de Kentucky nos Estados Unidos está convidando seus fiéis a participarem de um evento que pode surpreender os que não acreditam na relação entre fé e armas. Segundo disse o reverendo Ken Pagano à edição online da revista Time, a Celebração Pública de Tenencia, programada para o próximo sábado, não é um culto, mas ele espera que todos os cristãos devotos e que gostam de armas compareçam à igreja para dar graças pelo direito de poder usá-las.

Segundo Pagano, pastor da Igreja New Bethel, da congregação Assembléia de Deus, o evento está sendo planejado há meses, mas atraiu pouca atenção até ser noticiado pelo jornal Louisville Courier, no início do mês. Desde então, o pastor virou uma celebridade na região.

O reverendo, que também é voluntário no departamento de polícia de Louisville - onde não usa uma arma - disse que é um excelente atirador e defensor do porte responsável de armas. Apesar de receber criticas por misturar armas e religião, ele diz que, na sua opinião, os cristão precisam estar preparados para defender a si e a suas famílias.

Pagano admite que casos recentes, como o do homem que entrou atirando no Museu do Holocausto, em Washington, parecem desacreditar sua teoria, mas reforça que as pessoas precisam aprender a utilizar as armas.

Um grupo que se opõe ao evento organizado pelo pastor está planejando outra manifestação para o mesmo dia. Terry Taylor, que organiza o evento paralelo, disse à Time que a defesa do uso de armas passa uma imagem errada de Louisville, que, de acordo com ele, "é o centro espiritual dos Estados Unidos".

Fonte: Terra

Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

Revista Filosofia Conhecimento Prático

Nas bancas
Imperdível

- A existência de Deus segundo a filosofia de Tomás de Aquino. "Deus não é somente uma questão teológica, mas, filosófica"
- Gilbert K. Chesterton. O ressurgimento da filosofia. "Filosofia é meramente pensamento que foi cuidadosamente considerado"
- A proposta de Bento XVI. Fé e razão no Ocidente. "Não agir com a razão é agir contra a natureza de Deus"
- Mário Ferreira dos Santos. A vida e a filosofia concreta do grande pensador brasileiro. "...nossa inteligência, em vez de unir, incluir, ela separa, deseune, exclui"

Jeitinho para se dar bem em vários idiomas




Ferramentas gratuitas de tradução online como Google Tradutor e Yahoo! Babel Fish são uma ajuda e tanto para compreender o conteúdo de sites escritos em outras línguas

Rio - “Who sees guy not see heart”; “Soft water in hard rock that broke up both hits”; “Rapadura is sweet, but it is not soft, no”. Essas versões para o inglês de ditados em língua portuguesa bem poderiam ter saído de uma entrevista do anedótico Joel Santana, técnico da África do Sul. Mas, na verdade, são sugestões do Google Translate, ou Google Tradutor, uma das mais populares ferramentas de tradução online, para “Quem vê cara, não vê coração”;


“Água mole em pedra dura tanto bate até que fura”, e “Rapadura é doce, mas não é mole não”.

Se só agora na Copa das Confederações o folclórico Natalino mostrou sua pouca intimidade com o idioma britânico, numa entrevista que faz sucesso no YouTube, não é de hoje que tradutores online dão um precioso socorro a quem precisa tirar da Internet informações que só encontra em outros idiomas.

Com inglês e espanhol, dá-se um jeitinho. Mas o que fazer com textos em árabe ou japonês, por exemplo? Por isso, agora que protestos tomam as ruas do Irã e chamam a atenção do mundo, quem tiver curiosidade em checar sites em farsi (idioma falado naquele país) vai precisar de um tradudor online.

Tanto Google Tradutor quanto Yahoo! Babel Fish, os principais sites que prestam esse tipo de serviço, funcionam com tradução automática, ou seja, sem intervenção de tradutores humanos. Justamente por isso os resultados não são tão exatos quanto se fossem fruto de tradutores humanos, capazes de reconhecer os diversos contextos de cada termo. Mas para se ter uma ideia geral, é bastante razoável.

A maioria dos sistemas de tradução automática usam regras que tentam definir vocabulário e gramática para serem usados por computadores. No caso do Google, a solução é um pouco diferente. O sistema foi desenvolvido com base em estatísticas dos para pares de idiomas.

Segundo o Google, o sistema recebe bilhões de palavras, associadas à suas definições e a traduções entre os idiomas. As traduções resultantes das buscas são baseadas em modelos criados a partir dessa enorme base de dados.

Atualmente, o Google Tradutor é capaz de traduzir textos e até páginas inteiras em 30 idiomas, enquanto o Yahoo! BabelFish trabalha com 38 pares de idioma de origem e de destino.

Para usar essas ferramentas, basta inserir o texto ou o endereço da página na respectiva caixa de diálogo. Opções de tradução também podem aparecer nas pesquisas no Google: ao lado do link surge a opção “traduzir esta página”.

O resultado pode não ser 100%, mas como diria Joel usando um desses sites: “Horse it does not look the teeth".

Dicas para pesquisa

Quem quiser fazer do Google Tradutor ( http://translate.google.com ) uma ferramenta do dia a dia pode baixar e instalar a Barra de Ferramentas do Google, que fica associada ao navegador e libera o internauta de retornar ao site toda vez que precisar decifrar um texto. Depois de Instalado o recurso, basta passar o mouse sobre uma palavra em inglês para visualizar imediatamente o significado em inglês.

O Google Tradutor dispõe de vários recursos para ajudar na tradução. Quando se ignora o idioma em que está o texto, basta colocá-lo na caixa de diálogo e selecionar a opção “detectar idioma” no menu à esquerda. O menu à direita é para selecionar o idioma para o qual o texto será traduzido.

Na aba “Pesquisas traduzidas”, o internauta insere um assunto e visualiza lado a lado o texto original e a tradução sugerida para o seu idioma.

Para os que têm sites e blogs e pretendem facilitar a vida de visitantes de outros países, a dica e incorporar uma caixa de diálogo do Google Tradutor ao seu site. Basta acessar a aba Ferramentas, escolher o idioma, copiar o código fornecido.

Para o Yahoo! Babel Fish ( http://br.babelfish.yahoo.com ) a dica é caprichar na ortografia, na pontuação e evitar gírias.

Fonte: O Dia

MEC lança programa que transforma textos em livros digitais falados

Software de código aberto permite transformar textos em livros digitais para deficientes auditivos e também imprime em braile.

O Ministério da Educação (MEC) lançou, nesta quarta-feira (24/6), o software Mecdaisy, que permite a produção de livros digitais falados, voltados a deficientes visuais.

O Mecdaisy foi criado em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e usa o padrão Digital Accessible Information System (DAISY), do consórcio homônimo, que transforma o texto escrito em áudio.

O software oferece também a opção de impressão do material em braille. O programa possui recursos de navegabilidade que permitem anotações e marcações de texto a partir de teclas de atalhos ou do mouse.

O investimento no programa foi de 680 mil reais, e ainda serão destinados 180 mil reais a cada um dos 55 centros de produção do Mecdaisy espalhados pelo Brasil.

A ideia é distribuir os livros didáticos às escolas. O material também vai integrar o Acervo Digital Acessível, espaço virtual criado pela Universidade de Brasília (UnB) para deficientes visuais.

Em 2008, a Microsoft lançou um plug-in para o editor de textos Word que auxilia na criação de audiobooks. A Universidade Estadual Paulista (Unesp) está desenvolvendo um console para que os deficientes visuais possam ler páginas da internet em braille.

Fonte: Idgnow / Com informações da Agência Brasil

Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

Filme ambientado no Irã denuncia morte de mulheres por apedrejamento

'The stoning of Soraya M.' mostra a punição de iranianas por adultério.Diretor diz que não planejou lançar filme em meio à crise no país.

Uma mulher iraniana é condenada injustamente por adultério, amarrada, amordaçada e enterrada na terra até a cintura, para então ser morta a pedradas numa sequência sangrenta e chocante de um filme que chega aos cinemas americanos esta semana.

"The stoning of Soraya M." (O apedrejamento de Soraya M.) é uma dramatização baseada no best-seller do mesmo título escrito por um jornalista franco-iraniano sobre a morte de uma mulher num povoado iraniano em 1986.

O filme estreia em cidades norte-americanas na sexta-feira (26), em meio ao ultraje internacional em torno dos protestos e derramamento de sangue desencadeados no Irã pela eleição presidencial de resultados contestados. O diretor do filme, Cyrus Nowrasteh, diz que o timing não foi planejado.

O objetivo é criar uma condenação dramática da prática da morte por apedrejamento, que ainda ocorre em países que incluem Irã, Afeganistão, Paquistão e Somália, disse Nowrasteh à Reuters.

Nascido nos EUA e de ascendência iraniana, o diretor, que passou parte de sua infância no Irã, disse: "Basicamente, este filme trata da injustiça."

"The stoning of Soraya M." foi rodado na Jordânia e tem no elenco a atriz iraniana exilada Shoreh Aghdashloo, cuja personagem conta a um jornalista de passagem a história de sua sobrinha, assassinada depois de ser falsamente acusada de infidelidade por seu marido, que queria o divórcio.

Nowrasteh disse que o filme não critica o islã ou especificamente o Irã, mas aqueles que usam a religião para seus objetivos próprios em vários países.

No filme, as autoridades locais utilizam a lei islâmica sharia para incitar os moradores do povoado a se voltarem contra sua amiga e vizinha.

"O filme mostra que as mulheres ainda são tratadas como cidadãs de segunda classe em vários países, e que isso precisa mudar," disse o cineasta.

O chefe do Judiciário iraniano, aiatolá Mahmoud Hashemi-Shahroudi, ordenou a suspensão das execuções por apedrejamento em 2002. Em agosto do ano passado, um porta-voz do Judiciário, Alireza Jamshidi, anunciou a suspensão de algumas execuções por apedrejamento, mas desde então ele disse que os juízes individuais ainda podem ordenar apedrejamentos, enquanto as leis não forem integradas.

A Anistia Internacional disse no mês passado que sete mulheres e dois homens tiveram sua execução por apedrejamento ordenada no Irã, mas que pode haver outros casos.

As leis do Afeganistão e Paquistão também permitem a morte por apedrejamento. Em outubro, islâmicos somalis mataram por apedrejamento uma mulher de 23 anos acusada de adultério. Ela foi enterrada até o pescoço numa praça do porto de Kismayu e morta diante de centenas de pessoas.

Freidoune Sahebjam, o jornalista franco-iraniano que em 1994 publicou o livro sobre o qual o filme é baseado, morreu quando as filmagens começaram, mas tinha aprovado o projeto, que é falado em persa.

Fonte: G1

Mar Morto: fragmentos da fé

Descobertos ao acaso por pastores em 1947, os Manuscritos do Mar Morto fizeram com que judeus e católicos revissem a história de suas religiões. Ainda não totalmente decifrados por pesquisadores, eles estarão, em breve, disponíveis na internet

por Adriana Maximiliano

Desde o século 19, apenas dois grupos de pessoas circulavam pela desértica vizinhança das ruínas de Qumran, a noroeste do mar Morto: arqueólogos e pastores beduínos. Depois de mais de cinco décadas de exploração, o primeiro grupo de profissionais concluiu que aquela região da Palestina (atualmente em território israelense), chamada de Cidade do Sal na Bíblia, fora um pequeno forte romano. Os outros trabalhadores não se preocupavam com isso. Estavam sempre de passagem, pastoreando cabras no trajeto entre o rio Jordão e Belém. Costumavam acampar às margens do lago com nome de mar, enquanto os animais matavam a sede em uma das maiores nascentes locais, a cerca de 1 quilômetro das ruínas. Mas foram justamente eles, os pastores beduínos, que fizeram em Qumran a maior descoberta arqueológica do século 20. E tudo por causa de uma cabra desgarrada.

No fim de uma tarde de 1947, o animal subiu os rochedos de Qumran e desapareceu da vista de seu pastor, Juma Muhammed Khalil. A noite caía e Khalil precisava reunir o rebanho para voltar ao acampamento. Depois de subir cerca de 100 metros em busca da tal cabra, viu dois buracos na pedra. Eram cavernas. Se o bicho estivesse escondido ali, não seria fácil recuperálo. As aberturas eram estreitas e ficavam nas partes mais acidentadas da montanha. O pastor, então, atirou uma pedra dentro de um dos buracos.

Mas, em vez de um balido, ouviu o barulho de cerâmica se quebrando. Seria um tesouro escondido? Era tarde para descobrir. Começava a escurecer, Khalil tinha medo de entrar na caverna, não conseguir mais sair e... a curiosidade mataria um beduíno no deserto da Judéia. O melhor era retornar ao acampamento de sua tribo, Taamireh, às margens do mar Morto. E foi exatamente o que ele fez, mas com o plano de voltar no dia seguinte. Ao chegar ao acampamento, o muçulmano Khalil contou o que tinha acontecido para seus primos. O mais jovem, Muhammed Ahmed el-Hamed, apelidado de "o lobo", mal conseguiu dormir com a notícia. Passou a noite sonhando acordado com o tesouro. Ao amanhecer, antes que os outros acordassem, El-Hamed seguiu sozinho para os rochedos e encontrou os tais buracos. Com esforço, entrou por um deles e caiu entre entulhos e estranhos jarros de barro. Ansioso, o pastor vasculhou um por um os jarros. Alguns estavam vazios, outros continham manuscritos em pergaminho ou pele de animal. Nada de ouro ou pedras preciosas. Desiludido, levou para o acampamento o que encontrara. Khalil ficou furioso por dois motivos: a traição do primo e o conteúdo pouco promissor dos jarros.

TESOURO EM METRO

Analfabetos, os beduínos, que eram jovens (a idade exata é desconhecia), não faziam idéia do que tinham em mãos. Os documentos, que entraram para a história como os Manuscritos do Mar Morto, são o registro mais antigo do Velho Testamento (inteiro, com exceção do Livro de Ester), mil anos mais antigo que a versão conhecida até aqueles dias. Além disso, são uma fonte extraordinária de informação sobre a origem das duas religiões mais influentes do mundo: o judaísmo e o cristianismo. Para completar, ainda influenciam na compreensão do Corão. Apenas um dos manuscritos encontrados pelos muçulmanos mede mais de 7 metros de comprimento. É uma cópia do Livro de Isaías, do Velho Testamento, escrita em aramaico e feita de pele de cabra por volta do ano 100 a.C. Até então, a mais antiga reprodução conhecida da Bíblia Hebraica dos judeus e/ou o Velho Testamento dos cristãos tinha sido escrita na Idade Média. O conteúdo das peças encontradas nas cavernas estava em perfeito estado de conservação, devido às condições climáticas do lugar e ao jarro de barro, que, pelo formato mais comprido, parecia feito sob medida para guardá-lo.

Havia também outros seis manuscritos: o Manual de Disciplina e o Manuscrito da Guerra de uma comunidade judaica, Hinos de Ação de Graças, o Apócrifo de Gênesis, um comentário sobre o Livro de Habacuque e outra cópia do Livro de Isaías. Os textos canônicos, como os conhecemos, só foram definidos em concílios, séculos depois. Entre os manuscritos, há textos apócrifos, que, na época, eram considerados tão sagrados quanto qualquer livro canônico. Ou seja, a Bíblia era muito mais extensa do que é hoje. Segundo o Museu de História Natural de San Diego, nos Estados Unidos, que expôs boa parte dos papiros numa mostra que esteve em cartaz na instituição até janeiro de 2008, alguns dos manuscritos sugerem uma forma de judaísmo diferente do praticado hoje, com normas que não teriam sobrevivido à destruição romana do Segundo Templo, em 70 d.C. Revelam um estágio desconhecido na transição das religiões antigas da Bíblia para suas formas na atualidade.

"Foi uma descoberta incrível. Aqueles manuscritos estabelecem uma ligação entra as escrituras hebraicas e as religiões ocidentais que estavam em formação naquela época: o judaísmo rabínico e o cristianismo", explica o professor de estudos judaicos da Universidade de Nova York e editor dos manuscritos, o americano Lawrence Schiffman.

Os documentos incluem crônicas detalhadas que descrevem como era a vida cotidiana, naquele deserto causticante, dos contemporâneos de Jesus Cristo (que não é mencionado uma vez sequer), possivelmente judeus do grupo dos essênios. Os Manuscritos do Mar Morto provam, também, que as escrituras hebraicas não mudaram quase nada em seu conteúdo através dos anos. Apesar de algumas pequenas modificações no jeito de narrar, os fatos são os mesmos. Ou seja, indicam que o Velho Testamento é um livro escrito há mais de 2 mil anos. Pechincha por relíquias Depois da ocasional descoberta, um ano se passou até a autenticidade dos manuscritos ser comprovada. Os pastores beduínos que encontraram os manuscritos enfiaram os documentos numa bolsa e foram tentar vendê-los em Belém. A maioria dos comerciantes os dispensou, acreditando que eram recentes e de pouco valor. Muitos meses e várias tentativas depois, os manuscritos foram separados em dois lotes e finalmente vendidos em Jerusalém para o bispo do Monastério Ortodoxo Sírio de São Marcos, Athanasius Samuel, e para um estudioso da Universidade Hebraica, Eleazar Sukenik. Segundo o Museu de Israel, os dois desembolsaram um total de 25 libras pelas relíquias.

Samuel submeteu o material a especialistas da Escola Americana de Pesquisa Oriental, em Jerusalém, que, em fevereiro de 1948, confirmaram sua autenticidade. Na década de 50, o bispo se mudou para os Estados Unidos e, por anos, tentou vender os documentos sem sucesso. Até que, no dia 1º de junho de 1954, um anúncio publicado pelo religioso no Wall Street Journal fez com que os manuscritos mudassem de mãos. Foram comprados por 250 mil dólares, por um representante do governo de Israel, que também já havia adquirido os de Sukenik

Nos 15 anos que se seguiram ao parecer técnico da veracidade dos documentos, mais de 200 cavernas foram exploradas na região de Qumran. Em 11 delas foram encontrados outros, que, somados aos dos beduínos, dão um total de 930: cópias de quase todos os livros do Velho Testamento (o Livro de Ester continua desaparecido); textos inéditos sobre figuras bíblicas como Noé e Abraão; mapas de tesouros nunca encontrados; poemas; textos sobre astrologia, dias festivos e fases da Lua; e ainda regras e relatos do cotidiano de uma comunidade judaica. Entre todos eles, apenas 12 estavam inteiros, ou quase em perfeito estado. Os outros se encontravam em milhares de pedaços, roídos por animais ou desgastados pela ação do tempo. Segundo especialistas, eles foram escritos com tinta à base de carbono entre o século 3 a.C. e o século 1 d.C., a maioria, em pele de animais (há alguns de papiro e um gravado em cobre).

Os achados abriram uma imensa janela do tempo no deserto da Judéia. "Os manuscritos têm mostrado como sabíamos pouco sobre a literatura judaica do período do Segundo Templo (entre 515 a.C. e 70 d.C.)", diz o professor e ex-padre espanhol Florentino García Martínez, que fez parte do time de editores dos manuscritos e publicou mais de 20 livros sobre o tema em 40 anos de estudos. "Eles também mudaram nossa maneira de ver a Bíblia Hebraica, que estava na época em processo de formação e ainda não tinha a forma canonical que hoje nos é familiar. E, principalmente, os manuscritos têm mostrado a evolução das idéias religiosas e permitido que se entenda melhor a origem do cristianismo", completa Martínez. Entre os textos inéditos, estão os que descrevem cerimônias, narram uma obsessão pela pureza e revelam a expectativa pelo fim do mundo. Embora Jesus Cristo não seja mencionado e nenhum texto do Novo Testamento tenha sido encontrado, estudiosos apontaram semelhança entre os hábitos da comunidade judaica descritos nos manuscritos e o cristianismo, religião que ainda estava nascendo: são descritos rituais de batismo, a espera da chegada de um messias e o apocalipse.

QUEM ESCREVEU

Desde a década de 50, 98 pesquisadores se dedicaram a editar os manuscritos. Entreveros deram outro título à descoberta, o de maior escândalo acadêmico do século 20. Até hoje, foram publicados 38 volumes oficiais dos manuscritos, num total de 11 984 páginas, e mais de 30 mil livros e artigos sobre o tema. Mas, 60 anos depois, ninguém sabe ao certo quem os escreveu e por que eles estavam escondidos em Qumran. A hipótese mais popular entre pesquisadores é a de que os manuscritos tenham sido redigidos por uma turma de judeus dissidentes dos essênios, que, por sua vez, eram um dos grupos judaicos existentes no início da era cristã.

Como tantos outros judeus da época, inclusive Jesus, os membros da comunidade de Qumran se opunham à aristocracia sacerdotal do templo. Viviam um exílio voluntário no deserto, entregavam seus bens para serem divididos entre todos, estudavam as escrituras sagradas e as regras de disciplina de sua própria comunidade, seguiam rituais rígidos de purificação e aguardavam uma batalha entre o bem e o mal e, claro, já esperavam a chegada de um "messias". Essa comunidade tinha núcleos em outras cidades. Em Qumran, vivia a elite, formada por homens que deixaram a família para trás e optaram pelo isolamento.

Os livros teriam sido escritos por diferentes membros, em diversos lugares, e guardados numa única biblioteca, em Qumran. Alguns vasos encontrados nas cavernas tinham a palavra yahad (junto, em hebraico), que era como essa comunidade se intitulava nos manuscritos. O criador do grupo era chamado de "professor da retidão". Um grupo inimigo foi citado como "procuradores de elogios" e o chefe deles, o "homem da mentira". A denominação "essênio" não aparece nos manuscritos. A tese de que o grupo era formado por eles ou seus dissidentes baseia-se principalmente em um livro do historiador Plínio, o Velho. Ele dizia que havia uma comunidade de essênios no lado oeste do mar Morto.

Essênios ou não, a comunidade de Qumran planejava voltar a Jerusalém, mas, antes que isso fosse possível, o exército romano destruiu a região na Grande Revolta Judaica, por volta do ano 70 d.C. Na iminência da morte, os moradores do lugar teriam escondido os livros nas cavernas, para salvá-los .

A comunidade teria vivido em Qumran entre 125 a.C. e 68 d.C. A presença de mulheres e crianças nunca foi confirmada. Uma exploração arqueológica oficial, entre 1951 e 1956, revelou um cemitério com cerca de 1,2 mil esqueletos, inclusive de mulheres. Mas não se sabe se elas faziam parte da comunidade ou se eram nômades do deserto. De qualquer forma, a hipótese de que apenas a elite vivia em Qumran se fortaleceu, já que os esqueletos estavam em covas individuais e, na época, as covas costumavam ser familiares.

MANUSCRITOS NA WEB

Todos os sete manuscritos da primeira caverna estão agora reunidos no Santuário do Livro, do Museu de Israel, em Jerusalém, que às vezes os deixa ser exibidos em outros lugares. "Recebemos inúmeros pedidos todo mês, mas concordamos poucas vezes. Eles são feitos de materiais orgânicos. Precisam de muitos cuidados, como a manutenção em determinada temperatura, evitar a incidência de luz direta e, depois de ficarem expostos por três ou quatro meses, devem descansar por pelo menos um ano", diz o curador do lugar, o argentino Adolfo Roitman. Os demais manuscritos estão espalhados por outras instituições, como o Instituto de Antiguidades de Israel do Museu Rockefeller, a Escola Bíblica Franciscana de Jerusalém, a Biblioteca Nacional de Paris e o Museu Arqueológico da Jordânia. O interesse pelo tema continua latente e vem ganhando desdobramentos na internet. A Universidade da Califórnia, por exemplo, organizou o Projeto de Visualização de Qumran, no qual recria, na web, o lugar em terceira dimensão. "Há imagens panorâmicas dos rochedos onde os essênios moravam, do mar Morto e das planícies da Jordânia. Reconstruímos o monastério parede a parede, de acordo com a textura e grossura que cada uma delas tinha", afirma o fundador do projeto, Robert C. Cargill. Desde 1956, nenhuma outra inscrição apareceu na região de Qumran. Roitman não descarta a possibilidade de ainda haver pedaços dos manuscritos achados nos anos 50 nas mãos de colecionadores, que não permitem seu estudo ou que ignoram seu valor. Dono dos sete primeiros manuscritos encontrados pelos beduínos, o Museu de Israel já publicou o conteúdo de dois deles em seu site na internet, o Livro de Isaías e o Manuscrito do Templo. "Os outros deverão estar disponíveis nos próximos meses", diz Roitman. Enquanto isso, o Instituto de Antiguidades de Israel do Museu Rockefeller, em Jerusalém, se dedica a digitalizar pedaços de manuscritos encontrados nas 11 cavernas. Com a ajuda de equipamentos especiais e a supervisão de um ex-cientista da Nasa, Greg Bearman, os documentos serão reproduzidos e colocados à disposição do público na internet, para que o mundo tenha chance de estudá-los. E, quem sabe, desvendar os mistérios da fé.

MONOPÓLIO DAS CAVERNAS
Cercear a pesquisa foi o escândalo acadêmico do século 20

Em 1951, o governo da Jordânia, que então controlava parte do território das cavernas de Qumran, escolheu oito pesquisadores para traduzir e publicar os manuscritos encontrados nas dez últimas cavernas (os achados nas primeiras, vendidos, foram parar em Israel). Quase todos eram padres católicos, filólogos da Escola Bíblica e Arqueológica Francesa. Não havia judeus no grupo. Fragmentados em milhares de pedaços, os manuscritos da Jordânia ficavam no Museu Arqueológico da Palestina, disponíveis apenas para esses pesquisadores. Quando um deles morria, outro, eleito pelos demais, herdava seu lugar. O primeiro volume da coleção de manuscritos, Descobertas no Deserto da Judéia I, foi publicado apenas em 1955, e mais dez anos se passaram até os três volumes seguintes. Antes do lançamento do quinto tomo, houve uma mudança importante. A Guerra dos Seis Dias, em junho de 1967, deu a Israel o controle dos manuscritos do Museu Arqueológico da Palestina, rebatizado como Instituto de Antiguidades de Israel do Museu Rockefeller, de Jerusalém. À equipe integraram-se pesquisadores judeus. Mas a demora continuou e a comunidade acadêmica internacional começou a reclamar. O fato de apenas poucos estudiosos terem acesso aos manuscritos foi chamado de "o escândalo acadêmico do século 20", pelo professor Geza Vermes, da Universidade de Oxford. Apenas em 1991, a Biblioteca Huntington, na Califórnia, quebrou esse monopólio ao liberar imagens de todos os manuscritos ainda não publicados - 400 textos, dos 500 encomendados. Israel tinha enviado micro-filmes para várias instituições como medida de segurança, caso algo acontecesse aos originais, mas não imaginava que uma delas quebraria o compromisso de sigilo. O fim do segredo coincidiu com o fim da morosidade. Até 1990, oito volumes haviam sido publicados. Uma nova equipe foi escolhida e publicou 30 volumes até 2001, encerrando o trabalho. Em julho deste ano, cerca de 40 pesquisadores de diversas nacionalidades e crenças religiosas participaram de uma conferência no Santuário do Livro, no Museu de Israel, que guarda o Livro de Isaías e outros manuscritos, para comemorar as seis décadas da descoberta do tesouro. Muitos fizeram parte da equipe editora dos manuscritos e dedicaram toda a vida acadêmica a estudá-los, como o ex-padre espanhol Florentino García Martínez. "Temos agora todo material de que precisamos para trabalhar: concordâncias, dicionários, boa edição e tradução e comentários de muitos estudiosos. Mas o trabalho de interpretação, de extrair dos manuscritos toda a informação que eles contêm, está apenas começando."

CRÔNICAS DA VIDA NO DESERTO
Documentos revelam regras de higiene e valores éticos comunitários

Escritos em hebraico, aramaico e grego, os Manuscritos do Mar Morto são divididos em três grupos: textos bíblicos e comentários de textos bíblicos; textos apócrifos; e literatura de Qumran. Essa divisão não havia na época, porque apenas séculos depois concílios da Igreja de iniriam quais eram os textos canônicos (bíblicos), criados por inspiração de Deus. Os escritos por autores sagrados, mas sem inspiração divina, foram chamados apócrifos pela Igreja. Entre os 930 manuscritos, há 225 cópias de livros da Bíblia. Veja abaixo trechos de alguns manuscritos.

DO FILHO DE DEUS
Nesse manuscrito, as expressões "filho de Deus" e "filho do Altíssimo" são usadas para denominar um futuro salvador divino. São os mesmos termos adotados pelo anjo Gabriel, na "anunciação" de Jesus Cristo a Maria.

O MANUSCRITO DE COBRE
Feito de um material valorizado na época, esse manuscrito diz: "Sou único e minha mensagem é tão valiosa quanto o metal do qual fui feito". Nele, há indicações de 64 tesouros, que, no entanto, nunca foram encontrados.

O MANUSCRITO DA GUERRA
Descreve a batalha dos dias finais, entre os "filhos da luz" e os "filhos das trevas". Detalha armamentos, a bênção a ser dita no momento da vitória e a cerimônia de Ação de Graças.

PEDAGOGIA TRÁGICA
Os manuscritos prevêem castigos severos: "Se um homem tem uma criança rebelde e teimosa, que não obedece ao pai ou à mãe e não ouve quando eles o disciplinam, deixe seu pai e sua mãe segurá-lo no portão de casa e chame os mais velhos da cidade. Os pais devem dizer: 'Esta criança é teimosa e rebelde, não nos obedece, é um bêbado glutão'. Então, todos os homens da cidade devem apedrejá-la até a morte. Assim, você removerá o demônio de seu meio e todas as crianças de Israel vão ouvir e ter medo".

LIMPEZA CONTAGIOSA
Além de dois banhos diários obrigatórios, os membros da comunidade deviam mergulhar em uma piscina toda vez que defecassem. Como a piscina era abastecida pelas chuvas, escassas no deserto, a água ficava parada por meses. Resultado: 6% dos homens de Qumran atingiam 40 anos, em comparação a 40% em Jerusalém.

PUREZA AO COMER
Os membros da comunidade comiam em silêncio e em tigelas individuais (para não espalhar doenças).

ESTIGMA
Os chamados leprosos não podiam entrar em Jerusalém, em Qumran ou em qualquer lugar onde houvesse comida limpa. Se o fizesse sem querer, deveria ofertar um animal. Se entrasse deliberadamente, seria amaldiçoado.

SACRIFÍCIO DE ANIMAIS
Um animal grávido não podia ser sacrificado no mesmo dia do feto.

DEVO, NÃO NEGO
"Se você deve a alguém, pague rapidamente. Nunca troque seu espírito sagrado por nenhuma quantia de dinheiro. Se alguém deixar algo de valor com você, não toque, para que você não se queime e seu corpo não seja consumido pelo fogo."

Fonte: Aventuras na História

Túmulo intocado de 4 mil anos é descoberto em Belém

Pesquisador segura osso humano encontrado no túmulo

Trabalhadores reformando uma casa na cidade onde, segundo a tradição cristã, nasceu Jesus, acidentalmente encontraram um antigo túmulo intocado, contendo potes de argila, pratos, contas e os esqueletos de dois humanos, disse uma autoridade palestina em antiguidades nesta terça-feira, 23.

A tumba, de quatro mil anos, fornece uma visão de como eram os costumes funerários dos habitantes da área durante o período cananeu, disse Mohammed Ghayyada, diretor do Ministério Palestino de Turismo e Antiguidades.

Trabalhadores em uma casa próxima à Basílica da Natividade encontraram um buraco que levava ao túmulo, que estava aproximadamente um metro abaixo do solo, disse. Eles contataram as autoridades, que fotografaram o achado antes de remover seu conteúdo.

Eles dataram o túmulo no início da Era do Bronze, entre 1900 a.C e 2.200 a.C.

O arqueólogo e historiador Stephen Pfann chamou a descoberta de "uma importante referência para a vida no período cananeu", acrescentando que daria uma visão de como era a área antes da época dos patriarcas bíblicos.

Embora muitos artefatos da época já sejam conhecidos, túmulos intactos são raros devido à pilhagem, disse.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Museu Global do Comunismo



Dedicado as 100 milhões de vítimas do comunismo no mundo, foi inaugurado recentemente em Washington, DC, o Museu Global do Comunismo (Global Museum Communism), uma iniciativa da Victims of Communism Memorial Foundation. Destaque para sessão sobre Religião.


Visite, http://www.globalmuseumoncommunism.org

Terça-feira, 23 de Junho de 2009

Arqueólogos israelenses acham caverna com símbolos romanos e cristãos

Arqueólogos israelenses descobriram uma caverna gigantesca que data da época do Segundo Templo e que serviu primeiro como pedreira e, em séculos posteriores, durante o período bizantino, como local de peregrinação para cristãos.

A gruta, de 80 metros de comprimento e 50 de largura, fica dez metros abaixo da superfície, e os arqueólogos creem que possa ter sido utilizada tanto como lugar de oração quanto de refúgio.

"Estamos no começo da investigação", afirma seu descobridor, Adam Zartal, do Instituto de Arqueologia da Universidade de Haifa, norte, em declarações à edição digital do jornal "Yedioth Ahronoth".

Apesar de ressaltar que "é cedo para decidir para que construções ou em que cidades as pedras foram empregadas", não se pode descartar que tenham sido transferidas até grandes construções de caráter religioso a dezenas de quilômetros.

"Pelo tamanho das pedras -algumas das quais ainda podem ser vistas no interior -, se tratava de projetos grandes em cidades desde Beit She'an até Jericó, passando por (a fortaleza de) Masada e Jerusalém", acrescenta.

Responder à pergunta de onde chegaram as pedras desta pedreira milenar será o objetivo de um estudo arqueológico-geológico a ser realizado, mas, enquanto isso, Zartal antecipa que foram encontradas também 15 salas de diferentes tamanhos de uma altura de dois a três metros.

O teto da caverna se apoia sobre 20 colunas gigantescas de dois metros de largura por outros dois de comprimento, nas quais há gravadas dezenas de símbolos de diferentes épocas.

Muitos deles são cruzamentos da época bizantina, mas há também águias das legiões romanas e um zodíaco, diz o arqueólogo, que descobriu o lugar no final de março quando explorava a zona em um projeto arqueológico em escala regional.

Com o teto derrubado em grande parte da caverna, Zartal acredita que demorará até conseguir chegar ao chão original e completar o mapa da misteriosa caverna, que se encontra perto de onde se suspeita que as 12 tribos de Israel puderam atravessar o Rio Jordão há mais de três mil anos, segundo a Bíblia.

Na mesma região, chamada Gilgal, há duas igrejas bizantinas que poderiam ter sido construídas com rochas da pedreira.

Pelos símbolos, acredita-se que a caverna foi usada até o período da conquista muçulmana, em meados de século VII.

Fonte: G1

Imprensa britânica compara iraniana morta a rebelde chinês


A imprensa internacional compara nesta terça-feira a jovem iraniana assassinada no último sábado, durante protesto em Teerã, ao rebelde chinês fotografado em frente a uma fila de tanques na Praça da Paz Celestial, em junho de 1989. Neda Agha Soltani levou um tiro durante uma das manifestações que se tornaram rotina no país desde a reeleição de Mahmoud Ahmadinejad, no dia 12 de junho. A oposição acusa o governo de fraude na eleição e não aceita a vitória do candidato conservador.

Hoje, jornais de diferentes partes do mundo estamparam suas capas com imagens da morte de Neda. Apesar de a imprensa internacional ter sido impedida de filmar e fotografar as manifestações da oposição, os iranianos têm usado a internet para espalhar pelo mundo episódios violentos registrados no país.

A comparação entre Neda e o chinês, ainda hoje considerado símbolo da repressão no país asiático, foi feita pelo jornal britânico The Independent, que destaca que a iraniana não escolheu ser uma mártir, não se colocou em frente às câmeras - que sequer estão autorizadas no país. Ainda assim, a difusão de sua história pelo mundo motivou manifestações e tornou seu rosto a imagem da luta contra o governo iraniano.

As publicações americanas Chicago Tribune e New York Times e as brasileiras Folha de S.Paulo, Estado de S. Paulo e O Globo, por exemplo, escolheram fotos das manifestações em outras partes do mundo pela morte de Neda. Uma das imagens mais difundidas é a de velas, mensagens e fotos reunidas em Dubai, nos Emirados Árabes, em homenagem à jovem assassinada.

O jornal chileno El Mercurio e o americano Los Angeles Times optaram por uma imagem mais forte, dos últimos instantes de vida da iraniana. A gravação que mostra algumas pessoas tentando reanimar Neda logo depois do disparo, ainda no meio da rua, se espalhou pelo mundo ainda no fim de semana, por meio do site de vídeos YouTube, apesar das dificuldades impostas pelo governo para o acesso à internet.

Sob o título "Eu sou Neda. A face trágica do Irã", o jornal The Times estampa sua capa com fotos da jovem estudante de Filosofia antes da morte trágica e outra estlizada do momento em que ela foi ferida, com o rosto ensanguentado.

Segundo disse o noivo de Neda à BBC, sua família foi proibida de realizar um funeral para a jovem. Caspian Makan disse que as autoridades religiosas e a milícia Basij, pró-governo, impediram os parentes de realizar uma cerimônia religiosa dedicada à jovem em uma mesquita por temer que ela se torne um símbolo dos protestos.

"As autoridades estão cientes de que todos no Irã e em várias partes do mundo sabem o que aconteceu com Neda", afirmou Makan, que se identificou como fotojornalista. "Eles temiam que muita gente fosse à cerimônia religiosa, e eles não querem mais confusão", disse.

Redação Terra

Diretor de Jornalismo da Rede Globo fala sobre religião, racismo e literatura em entrevista



Carioca, descendente de sírios, jornalista e cientista social. É com uma bagagem e tanto, que Ali Kamel, diretor-executivo de Jornalismo da Rede Globo, também se aventura pelo universo dos livros e dos temas polêmicos.

Kamel esteve ontem em Ribeirão para participar do Salão de Ideias da 9ª Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto e divulgar sua segunda e mais recente publicação "Sobre o Islã - A Afinidade entre Muçulmanos, Judeus e Cristãos e as Origens do Terrorismo".
Em entrevista, o jornalista também falou sobre como se sentiu inseguro ao iniciar seu trabalho na televisão em 2001.

A Cidade - O livro "Onde Está Osama Bin Laden?" [de Morgan Spurlock] fala de como povos vizinhos do Oriente Médio têm imagens pré-concebidas pelo fato de muitas vezes não se conhecerem pessoalmente. O seu último livro sobre o islamismo segue essa linha?
Ali Kamel - A ideia do livro foi justamente contribuir para que as pessoas dessas três religiões (muçulmanos, judeus e cristãos) saibam que elas fazem parte de uma mesma tribo, de uma mesma família. A tradição judaico-cristã-islâmica é uma só. Todos os profetas da Torá (a Bíblia judaica) são respeitados pelo cristianismo. E no mundo moderno a ênfase é dada sempre às diferenças mais do que às semelhanças. E o meu livro preferiu apostar nas semelhanças.

A Cidade - O seu primeiro livro "Não Somos Racistas" toca na polêmica das cotas nas universidades. Você recebeu algum tipo de crítica por estar à frente do jornalismo da Rede Globo e, ao mesmo tempo, ter sua posição explícita nesse livro?
Ali Kamel - O livro não é, propriamente, sobre cotas. Ele pretende apontar para um caminho do pós-racial, no século 21. A gente quer ver o sonho do Martin Luther King em que as pessoas sejam julgadas pelo seu caráter e não pela cor da sua pele. No livro eu digo isso, que nós no Brasil, sempre nos orgulhamos de sermos mestiços, misturados, e isso é a beleza da nossa civilização. Quando você divide a nação entre negros e brancos, duas coisas distantes, num momento em que a biologia apontou que nós somos exatamente iguais e que não existem raças humanas, isso seria uma coisa ruim, que aponta para o passado. E o debate é meio acalorado, mas a minha posição como jornalista da TV Globo, acho que não influenciou em nada.

A Cidade - Você veio do jornalismo impresso. Como foi a sua transição para a TV?
Ali Kamel - Eu aprendi muito em televisão, mas o que me deixou feliz é que notícia é notícia em qualquer veículo. Eu fui com muito medo, eu sou uma pessoa muito insegura e quando eu soube que ia para a TV, cheguei a passar mal. Eu achava que era um mundo completamente novo e não é. Notícia é notícia, a forma de contá-la pode ser diferente, mas a escolha dos assuntos, a técnica da objetividade com que você relata os fatos é sempre a mesma.

A Cidade - Como foi a repercussão na Rede Globo sobre o fim da exigência do diploma para jornalistas?
Ali Kamel - Nós vamos continuar recrutando nossos profissionais nas escolas de comunicação, porque nós as reconhecemos como os principais centros de difusão das técnicas e conhecimentos necessários para que você seja um jornalista e vamos continuar contando com a colaboração de especialistas de outras áreas como o [Arnaldo] Jabor e o Drázio [Varella]. Mil escritores sempre escreveram sem ter o diploma de jornalista


Fonte: Jornal da Cidade

Anjos e Demônios: política, religião e ideologia

O livro e o filme “Anjos e Demônios” de Dan Brown traz à cena novamente as discussões sobre religião, Igreja Católica, sociedades secretas, enfim, a antiga discussão entre ciência e religião. Para alimentar o acaloramento dos debates, o ex-Primeiro Ministro britânico, Tony Blair, em entrevista à revista americana Newsweek de 25 de maio de 2009 põe mais lenha na fogueira.

Blair afirma que no século XXI a fé religiosa será tão importante quanto a ideologia política foi no século passado. É fato que hoje em dia, por exemplo, o debate sobre direita e esquerda não são mais tão relevantes, já que os partidos políticos em vista de um maior número possível de votos e de constituir coalizões para governar, moveram-se para o centro. Tanto a esquerda, quanto a direita parecem mais partidos de centro do que nos anos 80 do século XX. Certamente, devido a esta menor polarização, as idéias políticas não têm mais o mesmo poder de atração dos tempos da Guerra Fria, onde o mundo era dividido entre os Estados Unidos e a União Soviética.

Esse vácuo é ocupado pelo discurso politizado e salvacionista da religião de todas as denominações. A religião, assim, exerce hoje um maior poder de atração que os discursos e ideologias políticas. A religião e sua degeneração em fanatismo religioso encontram terreno fértil na ausência de uma proposta política consistente. Não é necessário apenas querer automaticamente condenar o fanatismo religioso mulçumano. O fundamentalismo religioso não faz parte apenas dos cidadãos pobres e sem perspectivas de alguns países mulçumanos, como o Iraque, Irã, Afeganistão, Paquistão, entre outros. O fundamentalismo também habita países ricos como os Estados Unidos e outros como o Brasil.

Portanto, onde não há uma ideologia e um projeto político fortes, sendo capazes de trazer esperança e finalidade para a vida das pessoas, a religião traz. A religião hoje tem um poder de atração maior que as idéias políticas, pois é o consolo do presente ruim e conturbado e a promessa de um futuro melhor trazidos com a autoridade que nenhum político pode trazer: Deus. Em tempos de descrédito político como os atuais, certamente essa é uma competição injusta.

O uso das promessas de dias melhores e de salvação revestidos da autoridade de Deus, fez com que Marx chamasse a religião de ópio do povo que funcionava como uma droga que ajuda aliviar o sofrimento do presente e faz as pessoas viveram na esperança de um futuro melhor na outra vida. Ou seja, faz as pessoas abdicarem de sua condição de cidadãos, com direitos de uma vida digna, em troca de algo no futuro, ou melhor, na outra vida. É aqui que a ideologia política deixa de existir e cede lugar à ideologia religiosa. Com esse poder anestesiante das adversidades do presente, a religião foi sempre muito bem aproveitada pelo poder político. É quando o político faz uso da religião, e esta do político: uma prostituição nada divina.

Através de seu uso político, especialmente seu poder facilitador de atrair massas, eleger políticos, conquistar e manter canais de televisão, a religião é encarada como uma força que pode congregar as pessoas através da solidariedade e justiça social ou que pode desagregar através da divisão e do conflito. Afinal, se matou mais pessoas em nome de Deus na História da Humanidade do que qualquer outro motivo, como bem ilustra o filme.

* José Ricardo Martins é Mestrando em Sociologia, Especialista em Geopolítica e Relações Internacionais e Licenciado em Filosofia.

Fonte: Paranashop

Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

Sarkozy diz que burca não é bem-vinda na França

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, criticou nesta segunda-feira o uso da burca - traje usado por mulheres muçulmanas que cobre todo o corpo e só deixa os olhos à mostra - e afirmou que não há lugar para esse tipo de vestimenta na França.

Em um discurso histórico, durante uma sessão especial do Parlamento em Versalhes, Sarkozy disse que o uso da burca "reduz a mulher à servidão e ameaça a sua dignidade".

Segundo Sarkozy, a burca "não é um sinal de religião, mas de subserviência" e não é "bem-vinda" na França.

O líder francês ainda demonstrou apoio à criação de uma comissão parlamentar para analisar a proibição do uso da burca em lugares públicos no país.

"Não podemos aceitar que tenhamos em nosso país mulheres presas atrás de redes, eliminadas da vida social, desprovidas de identidade", afirmou.

Batalha

Apesar das declarações, Sarkozy afirmou que a França "não deve lutar uma batalhar errada" e defendeu que a religião muçulmana seja respeitada assim como todas as outras no país.

Há cerca de 5 milhões de muçulmanos na França. Em 2004, o governo proibiu o uso do véu islâmico e de outros símbolos religiosos em escolas públicas.

De acordo com a correspondente da BBC em Paris, Emma Jane Kirby, um grupo multipartidário de legisladores franceses pretende agora analisar se a opção de usar a burca é uma decisão voluntária ou se as mulheres estariam sendo forçadas a cobrir o corpo.

Kirby afirma ainda que o grupo já pediu um inquérito especial para analisar se o uso da burca não estaria ameaçando os valores seculares na França.

O discurso de Sarkozy, possível graças a uma emenda constitucional aprovada no ano passado, foi o primeiro de um presidente francês ao Parlamento desde o século 19.


Fonte: O Globo